Bairros

Comunidade é guardiã do patrimônio

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

As escolas que já estão praticando a política de aproximação com a comunidade garantem que o resultado é muito positivo. Levando a população para dentro do estabelecimento de ensino fica mais fácil conquistar a confiança dos alunos, dos pais e da vizinhança em geral.

“O relacionamento do bairro com a escola melhorou muito depois que abrimos nossas portas”, garante Marilene Silva Guerrero, diretora da Escola Estadual Parque Santa Edwirges, localizada entre os bairros Santa Edwirges e Alto Alegre.

Com a ajuda de Demázio Antonio da Rocha, pai de uma aluna da escola que trabalha como voluntário no colégio, a diretora conseguiu reduzir o índice de depredação do prédio e ganhou credibilidade junto à vizinhança. “Nas reuniões de pais nós temos um número de participantes muito grande. A população está sempre dentro da escola”, salienta Marilene.

Rocha começou a trabalhar no colégio no ano passado, incentivando a prática esportiva entre os alunos. Como ex-atleta amador e líder comunitário, ele teve facilidade em desenvolver o projeto. “Achei que seria interessante dar para os jovens uma outra visão do que é a escola”, explica.

Entre as atividades desenvolvidas pelo voluntário, destacam-se aulas de capoeira, patinação, vôlei, futebol de salão (masculino e feminino) e basquete.

De acordo com ele, como o bairro peca pela falta de espaço e opções de lazer, a prática esportiva orientada aos finais de semana na escola é uma alternativa de diversão e aprendizagem para a população. “Eu já cheguei a contabilizar 180 pessoas em um final de semana na escola”, afirma.

Além dos projetos esportivos, a escola Parque Santa Edwirges abre as portas para que a comunidade possa realizar eventos em seu prédio. “Tanto a igreja católica quanto a evangélica já usaram a escola para realizar encontros”, cita a diretora.

Para resolver o problema de violência no entorno da escola - um dos maiores entraves para a segurança escolar, de acordo com o governo do Estado -, Marilene adotou uma prática diferente. Ao invés de ordenar a evacuação do local, ela convidou as pessoas que ficavam ao redor do colégio para freqüentar as salas de aula. “Montamos telessalas com aulas do curso supletivo para que as pessoas que não tiveram a oportunidade de concluir os estudos pudessem fazê-lo. Foi um sucesso”, destaca.

Atualmente, cerca de 60 estudantes freqüentam esse curso.

Como conseguiu verba para reformar a escola, Marilene vai aproveitar o recesso deste mês para investir nas mudanças. Por conta disso, as atividades extras não serão realizadas no período, devendo retornar no próximo semestre letivo.

A diretora ressalta que deverá ser realizado, apenas, um curso de cidadania, ministrado pelo pai de aluno voluntário, voltado para cerca de 40 estudantes que estão com dificuldade de se adaptar à escola. “São jovens que têm um potencial de liderança incrível. Eles dominam o grupo em que estão, mas usam essa energia de maneira errada. Vamos tentar canalizá-la para algo produtivo”, explica Rocha.

Troca de fiação

Localizada no Jardim Ouro Verde, a Escola Estadual Durval Guedes de Azevedo também tem um relacionamento aberto com a comunidade.

De acordo com a vice-diretora do estabelecimento, Rosalina Tamarozi Gonçalves Ferreira, isso já está rendendo bons frutos para o colégio. “O vandalismo diminuiu consideravelmente”, ressalta.

Quando acontece algum ato destrutivo para a escola, a própria comunidade se encarrega de consertar o que foi depredado. Um exemplo está na quadra de esportes da escola. Rosalina conta que a fiação do local foi roubada por vândalos.

Como o espaço é usado pela vizinhança para a prática esportiva nos finais de semana, os usuários se responsabilizaram pelo conserto da parte elétrica. “Eles (usuários) gostam de usar a quadra também durante a noite. Como roubaram os fios, eles mesmo se encarregaram de colocar outra fiação no lugar”, diz.

Também com a participação de voluntários, Rosalina diz que a escola oferece aulas de karatê e futebol. Para evitar que as paredes fossem pichadas, a diretora Vera Elena Veloso Silva incentivou que os alunos fizessem painéis artísticos na escola, preenchendo os muros com arte, sem deixar espaço para o vandalismo.

“Nós ganhamos mais credibilidade junto à população. Os pais hoje freqüentam a escola e ajudam até a fazer e manter o jardim do local”, explica Rosalina.

Nas aulas de informática, os monitores são os próprios alunos da escola. Além de arrumarem uma atividade extra-sala, eles ainda aprendem ensinando os colegas. â€œÉ uma maneira de tirar essas crianças da rua, oferecendo a elas uma atividade prazerosa e útil para o futuro profissional”, salienta.

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