Bairros

Escolas vão oferecer lazer e esportes

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Das cerca de 40 escolas da rede estadual de ensino de Bauru, 16 vão oferecer atividades para os alunos e a comunidade durante o recesso deste mês. A determinação foi dada pela Diretoria Regional de Ensino, visando atender a população no período em que as aulas ficam suspensas.

De acordo com Jair Sanches Vieira, dirigente regional de ensino, as escolas que já possuem quadra coberta deverão estar abertas para a comunidade nesta época do ano. As demais estarão passando por reforma. “Temos vários projetos nesses estabelecimentos que deverão ter continuidade mesmo durante o recesso escolar”, diz.

Ele explica que essa é uma maneira de incentivar a participação dos jovens em eventos promovidos pela e na escola, tirando-os das ruas e dando um sentido para o período ocioso deles.

A Escola Estadual Luiz Castanho de Almeida, que fica na Vila Falcão, nem está na lista da Diretoria, mas mesmo assim vai promover eventos. A fanfarra da escola, integrada por 45 alunos, estará ensaiando a todo o vapor para o desfile de 7 de setembro.

Segundo o coordenador do projeto Jovens Contra o Crime da região oeste da cidade, soldado Mauro Rogério de Souza, a participação dos jovens no grupo musical é uma maneira de incentivá-los a se envolverem com a escola.

O projeto, desenvolvido pela Polícia Militar, debate os problemas do ensino e busca solução através da palavra dos próprios estudantes. Para atraí-los a participar, são organizados eventos de lazer junto com as discussões.

O policial destaca que, além da fanfarra, está organizando pequenas caravanas para levar os integrantes do projeto ao cinema durante o recesso de julho. â€œÉ uma maneira de unir mais o grupo e de proporcionar a essas pessoas um divertimento nas férias”, conta.

Na Escola Estadual Azarias Leite, localizada no Jardim Carolina, também serão desenvolvidas atividades do projeto da Polícia Militar, além de campeonatos esportivos na quadra que está praticamente coberta. “Já temos a estrutura e só está faltando o telhado mesmo. Por isso, poderemos abrir a quadra para a comunidade”, explica a diretora Wanda Pellegrini Barra.

Ela conta que, para garantir a conservação das instalações da escola, combinou com os alunos que um deles ficaria responsável por tomar conta da escola durante os eventos. “A zeladoria da escola também estará a postos, mas é um bom ter uma pessoa como responsável.”

Ela salienta que o bairro é carente em termos de lazer e que a escola é o único espaço que os jovens encontram para extravasar as suas energias.

Medo de vandalismo

Apesar de ainda ter um pouco de receio do vandalismo, a diretora da Escola Estadual Ada Cariani Avalone, Neide Ferrari Tosati, está vencendo limites e buscando mais contato com a comunidade. Neste período de recesso escolar, por exemplo, ela estará com a quadra aberta à população para a prática de esportes. “A cultura geral das pessoas ainda está em formação e é preciso ter um pouco mais de cuidado para que o patrimônio fique intacto”, salienta.

Ela diz que a escola vem fazendo um trabalho de aproximação junto à comunidade, mas que as mudanças têm de ser gradativas.

Em julho, a escola vai promover campeonatos de futebol, vôlei e basquete, sob a coordenação de Silvio Luís de Arruda, pai de aluno e integrante da Associação de Pais e Mestres (APM) do colégio.

Localizada no Núcleo Geisel, a escola Francisco Alves Brisola está programando eventos junto com a Polícia Militar para o mês de julho. Todas as tardes, a escola deverá oferecer atividades esportivas para a comunidade.

A vice-diretora do estabelecimento, Ana Elisa de Carvalho Lopes, conta que realiza atividades durante todo o ano. “A quadra da escola está sempre à disposição da comunidade para a realização de jogos esportivos e eventos em geral”, diz.

Para os pais de alunos, a iniciativa das escolas de promover atividades durante o recesso escolar é benvinda. “Aqui no bairro ainda não tem muita coisa, não. Acho que a escola deveria oferecer mais atividades para as crianças”, salienta a diarista Edna Roseli Queiroz Gois, moradora do Núcleo José Regino.

De acordo com ela, essa seria uma solução viável para os pais que trabalham fora e não tem com quem deixar os filhos. “Sabendo que as crianças estão na escola, a gente fica sossegada”, conta.

O esforço das escolas em se aproximar mais da comunidade, algumas vezes, encontra barreira nos próprios pais de alunos.

Maria Neusa Balzão, por exemplo, que tem um filho que estuda em um estabelecimento público do Jardim Redentor, diz que não costuma freqüentar a escola do filho. “Eles têm muitas atividades lá, mas eu dificilmente vou. Não gosto muito, não me atrai”, salienta.

Já Eunice Brasil, moradora do Núcleo Geisel, conta que muitos jovens não gostam que os pais os acompanhe na escola. “Quando vão ficando mocinhos, os filhos têm vergonha de andar com os pais. Minha filha, que está na 6.ª série, não quer que eu vá na escola com ela”, destaca.

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