Saúde

Bebê vai aprender sabor dos alimentos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Desde que foi formado, o bebê sempre foi nutrido pelo cordão umbilical da mãe. Quando nasce, ele começa a ter contato com odores e sabores. A rejeição aos alimentos é normal, mas é preciso insistir para garantir que as refeições da criança sejam equilibradas e ricas em nutrientes.

O primeiro sabor que o bebê deve experimentar em sua vida é o leite materno. Ele oferece a quantidade exata de água e nutrientes de que o recém-nascido necessita, além de carregar todos os anticorpos presentes no corpo da mãe, funcionando como uma verdadeira vacina.

De acordo com a pediatra Marília Simões Garcia, houve uma época em que a amamentação foi radicalmente substituída pelos leites artificiais. “Hoje, sabemos que o leite materno é muito melhor para a criança, principalmente pela transmissão dos anticorpos”, explica.

Segundo ela, a única ressalva é quando a mãe não produz leite suficiente para nutrir o filho. “O bebê fica irritado, chora de meia em meia hora solicitando o peito e suga ativamente qualquer coisa. Mas se ele está mamando normalmente (aceitou o bico do seio), está dormindo bem e ganhando peso, não há razão para mudar”, afirma.

O pediatra Francisco Garcia Neto afirma que não existe um tempo ideal para a amamentação, mas que a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que o leite materno seja o alimento exclusivo para o bebê até o sexto mês de vida.

Na prática, porém, os médicos indicam a introdução de outros alimentos mais cedo. “Porque a maioria das mães volta a trabalhar quatro meses depois do parto, quando acaba a licença-maternidade. Então, a criança já precisa estar habituada a receber outros alimentos para suportar a ausência dessa mãe”, ressalta Garcia Neto.

Ele observa, no entanto, que mesmo depois da introdução de outros alimentos, a mãe pode e deve continuar amamentando, pois não existe uma data ideal para o desmame. Vai depender do bebê e da mãe.

Sabor natural

Entre as várias observações feitas pelos médicos quanto à introdução de alimentos, os cuidados com sal e açúcar são os mais importantes.

“O bebê não conhece nem o doce, nem o salgado. Se você não põe, ele aprende a aceitar o sabor natural dos alimentos. Mas se você usa uma vez, vai ter que usar sempre”, comenta Marília Garcia.

Ela ressalta que o uso do açúcar aumenta a fermentação no estômago e piora as cólicas do bebê. Além disso, favorece o aparecimento da cárie dentária e o desenvolvimento da obesidade.

Já o sal, por ser retentor de líquidos, pode causar desidratação no organismo do bebê. As papinhas de legumes devem levar uma quantidade muito pequena de sal. “A mãe não deve nem provar a papa, porque não vai estar bom para ela, mas vai estar bom para o bebê”, salienta.

Os médicos também contra-indicam o uso do mel para adoçar a comida do bebê. A concentração de glicose do mel pode causar diarréia na criança, com cólicas e dores. “E é difícil saber a procedência desse mel. O mel industrializado vem adicionado de química, o que não é bom para a criança. E o mel natural pode trazer alguma contaminação da pessoa que o manipulou. A orientação é não usar”, completa Marília Garcia.

Ela observa que, apesar de todo o desenvolvimento industrial e científico, a tendência da medicina é recuperar o naturalismo, afinal, diversos estudos já mostraram que as gerações criadas com produtos naturais eram muito mais saudáveis.

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