Eu, Cris (nome fictício), 17 anos, ele 15. Anos 60 com muita honra, 4ª série noturna, hoje seria 8ª série, “Colégio Guedes de Azevedoâ€. Tempo de muitos preconceitos, entre tantos, um deles nós enfrentamos, o de “idadeâ€. Eu namorava um cara de 19. Nunca gostei dele, estou com ele há 39 anos. Um relacionamento puramente comercial e sexual, sempre me viu como “mulher objetoâ€. Foi, é, e sempre será um casamento fracassado.
Eu dizia e digo até hoje: “não gosto de vocêâ€. Ele nunca me ouviu e não me deixava sair do relacionamento. Sinto que ele nunca gostou de mim. Me vê como “Améliaâ€. Falar de amor, sempre foi muito estranho pra ele. A gente não se suporta. Estamos nos aturando.
Ah! E o amor... O verdadeiro amor, onde foi parar? O respeito, a partilha, a solidariedade, a compreensão, o carinho.
“Amorâ€, 12 de junho, “Dia dos Namoradosâ€, tempo maravilhoso porque apareceu no meu caminho A. Roberto. Trabalhava no Sanbra e morava na Bela Vista. Foi amor à 1ª vista. Eu o admirava, achava-o fiel, simpático, um gato pra mim, “perfeito†do jeito que sempre sonhei. Ele nem aí comigo. Eu achava que tinha noiva e já era compromissado. Mesmo assim eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo só em poder ficar onde ele iria passar lá no “Colégio Guedesâ€. De repente, um amigo de sala de aula disse: Cris, o A. Roberto quer lhe falar. Fiquei surpresa, quase morri, meu coração saltou e me sufocou. Fiquei muda, gelada, suspirei fundo e lá fui eu. Sabem o que ele queria?
Adivinhem; até hoje há 40 anos me emociono só em pensar!
Ele disse: Cris, você é a mulher da minha vida. Quero você pra sempre, falo agora com seus pais para namoro, noivado e casamento, porque meu amor por você é tão imenso e não dá para esperar. Eu preciso de você.
Eu quase morri; e morri mesmo em outubro de 1962, porque fui obrigada a dizer “não†e choro até hoje, aos meus 57 anos, essa grande perda.
Meu namorado de 19 ficou sabendo desse impasse e me proibiu de tudo e de todos. Até amizades.
Pois é, senhores leitores. Essa é minha triste história. Sou casada há 34 anos. Vivo com quem não gosto e meu grande amor casou-se com minha colega. Se ele é feliz não sei. Só sei que ele deve gostar de mim. Não tanto quanto de sua esposa. Mas para mim, um pouquinho basta. Porque meu amor por ele dá para os dois. Sua esposa não precisa, nem deve se preocupar, pois nos conhecemos antes dela e o amor foi recíproco embora não consumado e duvido que ela o ame tanto quanto eu.
Com todo respeito a família de A. Roberto só queria pedir “perdão†a ele por ter dito “nãoâ€. É muito importante pra mim que ele saiba que fui obrigada, manipulada e coagida até hoje.
Com todo respeito: A. Roberto, foi Deus que nos colocou frente a frente e os caminhos foram diferentes, mas é bom lembrarmos que os caminhos são da gente. Aceitaria ser a sua 10ª esposa. Vamos para o Marrocos?
A. Roberto, só a esperança de reencontrá-lo me faz feliz e dinamiza minha caminhada. Te conheci com 15, hoje você está com 55 anos, deve estar meio velho e eu também. Procuro você só para dizer “te amoâ€. Com isso, morrerei feliz.
Sei que te magoei e muito. Depois que nos falamos em outubro de 1962, nunca mais te vi. Minha vida mudou. A gente nunca mais se viu. Mas eu nunca te esqueci. Você foi, é, e sempre será meu eterno amor. Feliz “Dia dos Namoradosâ€.
Cris