Kansas City - O brasileiro Aírton Daré obteve sua primeira vitória na Indy Racing League ao ganhar de forma espetacular a nona etapa do torneio, disputada ontem no oval do Kansas.
Largando em sexto, o piloto de Bauru já esperava uma boa atuação, mas precisou tirar tudo de si e do seu Dallara/Chevrolet para se recuperar de uma má parada de reabastecimento na 158ª das 200 voltas e ultrapassar o americano Sam Hornish Jr., atual campeão da categoria, na última relargada.
Com este resultado, Daré passou de sétimo para quinto na tabela do campeonato, que agora tem quatro brasileiros nas cinco primeiras posições. Hélio Castroneves chegou em terceiro e manteve a liderança do campeonato; Felipe Giaffone foi o quarto, mesma posição que ocupa na tabela; e Gil de Ferran foi o quinto, se mantendo como vice-líder, a oito pontos de Castroneves.
Autor da quarta melhor volta da prova (24s9908, média de 352,3836km/hora) na 152ª passagem, Daré esteve sempre entre os mais rápidos, mas para chegar à vitória teve de superar os grandes nomes da categoria. Além de Hornish, ele ultrapassou os pilotos da equipe Penske, Hélio Castroneves e Gil de Ferran, fazendo sua melhor corrida desde que passou a correr na IRL.
Melhor estreante do ano 2.000, Daré esteve ameaçado de não correr neste ano quando sua equipe anterior, o Team Xtreme, faliu. Contratado às pressas pelo ídolo do automobilismo americano AJ Foyt, Daré manteve um desempenho equilibrado enquanto a equipe desenvolvia o acerto do carro para seu estilo. Ontem, retribuiu a confiança de Foyt quebrando um jejum de vitórias que vinha desde 1999.
“Valeu esperar e trabalhar duro, hoje (ontem) meu carro estava praticamente perfeitoâ€, comemorou o piloto de Bauru após a cerimônia de premiação e a entrevista coletiva de praxe. “No começo, os pneus demoravam de cinco a 10 voltas para esquentar nas relargadas. Era uma agonia, mas depois, recuperava as posições perdidas sem maiores dificuldades. Melhoramos as regulagens a cada parada nos boxes e no final, eu tinha o melhor carro da pista.â€
Para Daré, a chave da vitória foi a decisão de Foyt de mandá-lo de volta à pista sem trocar pneus na segunda parada. “Ele é antiquado na forma de acertar um carro, mas sabe tudo de estratégia. Fiz uma parada muito rápida e não perdi tempo esquentando os pneus. Na última relargada, o Hornish deu uma cochilada e quando viu, eu já estava na frente dele.â€
O piloto de Bauru admite que não teria vencido se os carros de Eddie Cheever e Tomas Scheckter não apresentassem problemas. “Os motores Infiniti são ótimos. Andei junto com o Scheckter várias vezes e mesmo comigo no vácuo, ele abria dois décimos de segundo por volta. Mas para vencer não basta velocidade, é preciso resistência e estratégia. E isso quem teve mais hoje (ontem) fomos nósâ€, festejou Daré, que foi recebido como um herói pela equipe.
“O Foyt não parava de me agradecer pela minha vitória e pela do neto dele, que ganhou a primeira corrida da nova categoria de acesso, a Infiniti Pro series. Eu ajudei o menino durante toda a semana e ele venceu de ponta a pontaâ€, comentou Daré.