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Polícia homenageia ex-combatentes

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A Revolução Constitucionalista de 1932, um acontecimento histórico para o Estado de São Paulo, completou ontem 70 anos. Em Bauru, a Polícia Militar aproveitou a ocasião para prestar homenagens aos ex-combatentes, no quartel do Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4).

O único ainda vivo na região, que compareceu à solenidade foi Heni Scaf, 91 anos. Ele fez parte do grupo de 76 voluntários que saiu de Avaí rumo a São Paulo para participar da revolução.

Dos bauruenses que participaram da luta armada já não há mais nenhum com vida. Eles foram representados ontem por membros da família.

Scaf é atualmente o presidente da Sociedade de Veteranos de 32. Posto ocupado por ele desde 1982, após a morte do então presidente da sociedade Durval Guedes de Azevedo.

Fundada em 1964, a Sociedade dos Veteranos conta com apenas sete ex-combatentes. Destes, somente dois conseguem andar.

Segundo Scaf, a quantidade de fichas de ex-membros da sociedade formam um volume cada vez maior, com a morte dos filiados.

De acordo com as contas feitas por ele, deve existir hoje, na região, cerca de 150 ex-combatentes ainda vivos. Ao todo, o Estado de São Paulo entrou na luta contra as tropas do então presidente Getúlio Vargas com aproximadamente 35 mil homens. Do outro lado estava o governo, com pelo menos o triplo de combatentes.

Embora esteja com a mente um pouco cansada, Scaf não esquece as cenas que presenciou nas frentes de combate. Durante a guerra contra as tropas do governo Vargas ele ficou entrincheirado nas serras da Mantiqueira por 83 dias.

Foi ali que ele assistiu à morte do amigo e sargento João Sampaio, metralhado pela tropa inimiga. Hoje, o sargento empresta o nome a uma rua de Avaí, cidade onde morava.

Apesar das perdas, Scaf não se arrepende de ter feito parte do grupo de combatentes. Setenta anos depois, ele ainda sente orgulho de sua decisão, de servir como voluntário.

“Valeu a pena. Enquanto eu tiver condições de falar sobre a revolução e de sua importância para o País, assim o farei. Eu gosto de estar sempre relembrando aqueles momentos, porque foi uma luta pela democracia”, afirmou.

Estiveram presentes à solenidade de ontem, parentes dos ex-combatentes Armando Lapa, Naur de Barros Castro, Ricardo Mancini, Gabriel Rabelo de Andrade e Jessé Zuiani Tognosi.

Antes do toque de silêncio em homenagem às vítimas da revolução, os organizadores do evento lembraram também dos policiais mortos na semana passada, na rodovia Castelo Branco.

O público pôde acompanhar ainda a execução da canção 9 de Julho e do Hino Nacional, que foram precedidos por breves intervenções de autoridades militares e políticas presentes à solenidade.

Entre os militares, um dos destaques foi a presença do tenente-coronel Alexander Gnirwoz, do Exército Polonês.

Entre os representantes políticos, estavam o prefeito Nilson Costa, que relembrou a revolução fazendo referências a algumas passagens de sua infância, e o deputado estadual Pedro Tobias, que encerrou seu breve discurso dizendo que “São Paulo ainda precisa de muitas revoluções para conquistar seu merecido espaço”.

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