Economia & Negócios

Venda de motos bate recorde, mas comerciantes reclamam

Da Redação
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O número de motos comercializadas no Brasil entre janeiro e junho deste ano alcançou um volume de 388.080 unidades, recorde histórico do acumulado no primeiro semestre. Os números foram divulgados ontem pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas (Abracilco), e representam um acréscimo de 8,7% nas vendas em relação ao mesmo período de 2001.

Contudo, em Bauru os revendedores de motos dividem-se ao comentar os números. Para alguns, o período recordista em vendas foi, na prática, um dos piores dos últimos anos.

“Foi o pior mês em quatro anos que estou aqui”, declara o diretor comercial de uma revenda de motos, Paulo Abelha. Segundo ele, a média de unidades comercializadas em sua loja é de 40 por mês. Em junho, no entanto, foram vendidas apenas 20 motos, o que representa queda de 50%.

De acordo com Abelha, o interesse do consumidor é grande, mas as altas taxas dos financiamentos têm, na opinião dele, afugentado o comprador. “Interesse há, porque o preço da gasolina está subindo e a moto é um meio de transporte rápido e econômico”, diz.

Na revenda em que Abelha trabalha, 90% das motos vendidas são financiadas. A velocidade em que as taxas aumentam, contudo, não permite à empresa nem mesmo anunciar preços. “Hoje, se você fizer uma ficha de financiamento e ela for aprovada, a validade é de 48 horas”, afirma Abelha. Segundo ele, há um mês esse período era de quinze dias.

Para o proprietário de outra concessionária de motos em Bauru, Álvaro Antonelli Júnior, a retração do mercado atinge principalmente os veículos que ele comercializa, de média a alta cilindradas. “Para esse tipo de moto, o consumidor sumiu”, garante.

Segundo Antonelli Júnior, as vendas no último mês caíram 30% em relação ao mesmo período de 2001. Por mês, a média de unidades vendidas é de 25 a 30. Em junho, foram comercializadas apenas 15 motos. “Se for comparar com o pico, as vendas chegaram a cair 50%”, revela.

Para o comerciante, a explicação para as baixas vendas é simples: falta de dinheiro do consumidor. “Esses dois últimos meses foram os piores que eu vi até hoje”, lamenta.

Nas ruas

A 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru tem informações que indicam aumento real no número de motos circulando pelas ruas da cidade.

Segundo dados da Ciretran, em março de 2000 havia 15.466 motos circulando na cidade. O número aumentou para 17.561 no mesmo mês de 2001. O crescimento é ainda mais significativo se comparado com dados de cinco anos atrás: em novembro de 1997, circulavam 12.800 motos em Bauru. Não foram divulgados os dados de 2002.

Para o comerciante Elias Gonçalves Cardoso, proprietário de uma revenda de motos em Bauru, o último semestre foi, de fato, o melhor período para vendas nos 30 anos que ele trabalha no ramo.

De acordo com Cardoso, as vendas em maio ficaram acima de 200 unidades, número que caiu para 180 em junho. Segundo conta, essas vendas representam um aumento de cerca de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

Para o comerciante, dois fatores são fundamentais para o sucesso de vendas no segmento de motos: o preço e a facilidade para transitar pela cidade. “De seis anos para cá, os preços têm subido muito pouco, em torno de 15%”, declara.

Na opinião de Cardoso, o proprietário de moto, atualmente, encontra vantagens econômicas ao transitar na cidade, com o menor consumo de gasolina, e na estrada, com a desobrigação do pagamento do pedágio. Nos últimos dias, os dois itens tiveram reajuste de 6,75% e 12%, respectivamente.

Impulso

Diante dos bons resultados do setor, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas (Abraciclo) mantém os planos de produzir 860 mil motos em 2002, apesar da esperada queda na projeção de exportar 80 mil unidades este ano.

“Será difícil atingir esse volume de exportação com a retração do mercado argentino, principal comprador das motos brasileiras até o ano passado”, afirma o presidente da Abraciclo, Roberto Iquejiri.

A assinatura do acordo entre Brasil e México, entretanto, deverá dar um novo impulso às vendas externas de motos brasileiras. Os fabricantes exportam atualmente para América Latina e Caribe.

Mesmo com a queda de 41,1% das remessas no primeiro semestre, que ficaram em 17.626 unidades, os resultados mensais demonstram que há uma tendência de recuperação das exportações, iniciada em abril. No mês passado, as vendas externas registraram crescimento de 6,2% em relação a maio, totalizando 3.711 motos. (Carla Franco/Agência Estado)

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