Tribuna do Leitor

Ecos do futebol


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Ainda com o sorriso deste sofrido Brasil pelo seu Penta, logo empanado pelo “Pentarreajuste” imposto por FHC (doutor em Sociologia; que Sociologia “amiga da onça” essa!), nunca é demais reviver as virtudes, as qualidades desse esporte que empolga multidões no mundo inteiro e, no Brasil, tornou-se um patrimônio seu, porque a índole, a criatividade do brasileiro, casa-se com perfeição para a arte e as regras desses esporte; quantos craques empolgaram, deixaram marcas inesquecíveis, até lendárias, na história do futebol brasileiro. Mas... como diz o ditado: “Não há bem que sempre dure...”, em 1950 a Seleção do Brasil, que vinha goleando adversários, mascarou, distraiu, e se deixou perder absurdamente para o Uruguai. Devido a essa derrota, o Brasil sofreu outra, esta sim, a pior de todas: começou a safra dos retranqueiros-ferrolhos tipo europeu, Zezés Moreiras do Brasil, a escola que não deixa nascer e nem faz os craques do futebol, convertidos em pipocas mecânicas no campo, perdendo tempo e espaço, condições vitais para uma vitória, perdem mais gols certos do que são capazes de fazer.

Em 1954, no Torneio-Rio-São Paulo, o Fluminense de Zezé Moreiras, que vinha campeão do Rio na base da retranca aceita pelos times de lá, jogando com o Corintians no Pacaembu, estava vencendo de 2 a 0 no 1º tempo; Oswaldo Brandão, no 2º tempo, sabendo como jogava o Flu, foi rápido: “Cláudio ou Luizinho, pegando a bola, corram logo para a área livre das pontas, cruzem logo em “chuveirinho” no miolo defensivo deles, e vocês (os cinco) atacantes, se desmarquem ou driblem, e atirem para o gol. Resultado: Corintians, 5 e Flu, 2. O que salvou o Flu de uma goleada maior foi o apito final do juiz. Só Baltazar marcou 3 gols de cabeça (tinha o apelido de “cabecinha de ouro”). Cláudio e Luizinho completaram. Mas nem isso serviu de exemplo para os cartolas da então CBD. Nomearam Zezé Moreira para a Seleção de 1954. Foi aquele fiascasso. Daí, à exemplo de Felipão, deu uma luzinha na cabeça dos cartolas e trouxeram Vicente Feola para o 1º Campeonato Mundial do Brasil. Em 1962, com Aymoré Moreira, mesmo querendo impor o futebol retranqueiro, O Brasil venceu mais por força de seus craques da bola, que ainda tinha; já, em 1966, mesmo contando com os seus craques, com a imposição dos cartolas pela retranca (todos lá atrás, só Pelé na frente para fazer gols) foi outro fiascasso. em 1970, o Brasil, embora desacreditado em todo o mundo, salvou-se, foi campeão, tri-campeão, porque Gerson e Pelé, esta é a verdade, revoltados, puseram o Zagalo e os cartolas no galinheiro, e jogaram todos o futebol que o Brasil sabe jogar, seu verdadeiro futebol. Equivocados pelo falso brilho de Zagallo, chamaram-no para a Seleção de 74: foi aquele outro vexame do retranqueiro, que se repetiria em 78 com Coutinho, em 82 e 86 com Telê Santana, em 90 com Lazaroni, e até 94, mesmo ganhando, com um futebol medíocre e pênaltis. Em 98, a confirmação final do derrotismo do Brasil nas mãos do herdeiro de seus coveiros: Zagallo, outra vez. É incrível, absurdo, de que mais sofrem os cartolas no Brasil: do sadismo, masoquismo pela derrota, ou cegueira crônica irremediável?

Com tudo isso, como ganhou o Brasil agora a Copa? Tão somente porque uma luzinha apareceu na mente do Felipão: pôs mais homens na frente para driblar e fazer gols. Ao contrário do desabafo amargo de Zizinho, recentemente, antes de falecer: “Todos lá atrás, só dois na frente. Meu Deus!” (Dib Mereb - RG. 8.510.805)

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