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Depois do seqüestro, usineiro diz temer por toda família brasileira

Agência Folha
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Barra Bonita - Abalado, mas feliz pela libertação da filha, na última quarta-feira, o empresário Pedro Ometto Neto, 47 anos, disse que está temeroso pela segurança das famílias brasileiras frente à onda de seqüestros que assola o País. “Estou com medo. Nunca tive, mas agora tenho medo por minha família e por todas as famílias do Brasil inteiro’’, declarou.

O empresário que é vice-presidente do Conselho Administrativo da Usina da Barra deu essa declaração no dia seguinte à libertação de sua filha Natasha Ometto, 16 anos, que ficou 80 dias em poder de seqüestradores. Segundo o usineiro, os seqüestradores fizeram “todo o tipo” de ameaças.

A estudante foi seqüestrada na tarde do dia 21 de abril quando chegava em São Paulo, depois de uma visita a Barra Bonita. Ela só foi libertada na noite de quarta-feira, em São Paulo, após o pagamento de resgate. Os seqüestradores deram a ela dinheiro para pegar um táxi e voltar para casa, em Perdizes.

Segundo a família, a estudante não foi agredida e pôde escolher o que queria comer, fazendo listas dos alimentos que preferia. Natasha ficou todo o tempo em um quarto sem janela, com um colchão no chão e um cobertor.

“Uma das primeiras coisas que ela quis fazer foi ver o céu’’, disse Pedro Ometto Neto. “Estou muito abalado, mas feliz porque acabou. Os sequestradores foram muito profissionais. Não fizeram nada com a minha filha.”

Depois de descansar na primeira noite em que voltou para casa, no dia seguinte Natasha foi a um salão de beleza para fazer as unhas e depilação. Ela também procurou um médico de confiança da família, segundo Neto, para que lhe fosse receitado um calmante.

O pagamento do resgate aconteceu na manhã de quarta-feira. O dinheiro foi deixado em um orelhão por João Paulo Bernardes Teixeira, amigo de infância do pai da estudante.

Teixeira e Neto seguiram de Barra Bonita para São Paulo exclusivamente para o pagamento, por exigência dos seqüestradores. Neto foi o único a negociar com os seqüestradores. Falava sempre com uma mesma pessoa.

“Exigiram que eu não falasse com a imprensa nem com a polícia.” Ele contou que os seqüestradores chegaram a ficar 14 dias sem fazer contato depois de a notícia do seqüestro ter sido divulgada na televisão.

Após negociações, o valor final - que a família prefere não divulgar- foi acertado na sexta-feira passada. “Eu vendi tudo, pedi emprestado, fiz o diabo”, disse Neto.

O resgate pago, segundo informações extraoficiais, teria sido de US$ 150 mil. Nos primeiros contatos, os seqüestradores teriam exigido US$ 5 milhões, mas concordaram em diminuir o valor.

Na quarta-feira, Teixeira, que não conhece bem a cidade de São Paulo, saiu de carro com o dinheiro e ficou recebendo instruções pelo celular por cerca de dez horas. Segundo a família, ele não soube explicar onde fica o local em que o dinheiro foi deixado.

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