A divulgação da classificação final dos camelôs que estão autorizados a trabalhar no Centro da cidade gerou muita polêmica entre a categoria ontem. A lista foi publicada no Diário Oficial do Município (Dom), pela Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), de acordo com a lei número 4634/01.
O objetivo é determinar pontos de atuação para os permissionários, que vão trabalhar de forma legalizada junto à administração municipal.
As áreas serão definidas de acordo com a pontuação de cada camelô que se cadastrou e cumpriu o prazo de entrega da documentação exigida. Quanto menor a pontuação, menos chance tem o camelô de permanecer no local onde está ou onde deseja ficar.
O vendedor Fabrício Genaro, que mantém uma barraca há 15 anos na rua 13 de Maio, quase esquina com a avenida Rodrigues Alves, foi desclassificado.
Ele não entregou o atestado de antecedentes criminais exigido pela Seplan e, por conta disso, não obteve pontuação. “Eu discordei desde o início desse sistema de organização da prefeitura e achei coerente não entregar o atestado, já que não sou a favor dissoâ€, comenta.
Por não estar na lista dos aprovados, Genaro provavelmente terá de se retirar do ponto onde trabalha atualmente, considerado bem localizado pela categoria. “Não sei o que eu vou fazer, mas pretendo não me calar. Quero reunir as pessoas que estão na mesma situação que eu e buscar uma solução para o problemaâ€, salienta.
A exigência do atestado foi bastante criticada por grande parte dos camelôs. Dos 668 cadastrados, apenas 350 entregaram o documento. A medida é considerada discriminatória por muitos ambulantes, que encontram na rua uma saída para o desemprego.
Críticas
A maneira como a lista foi divulgada também deixou várias dúvidas no ar. O barraqueiro Roberto Carlos Gazieri, por exemplo, não tem idéia do que significou a sua pontuação. “Fiz 75 pontos. Não sei o que isso quer dizer. Pelo jeito, vou ter que sair do meu ponto, no qual já estou há quatro anosâ€, acredita.
Ele criticou o critério de pontuação utilizado pela Seplan. “Tem muita gente que conseguiu pontuação alta e não tem filho para sustentar, tem casa própria e está melhor de vida que os outrosâ€, diz.
Gazieri conta que paga pensão para três filhos, mora de aluguel e se sustenta apenas da renda obtida na barraca.
Edna Maria Ribeiro, que tem uma barraca na rua 1.º de Agosto há três anos, também atingiu 75 pontos. “Acho que vou ter de sair daqui. Não sei onde vão me colocarâ€, salienta.
Mãe de dois filhos de 9 e 6 anos, com o marido desempregado e sem casa própria para morar, Edna acredita que conseguiria uma pontuação mais alta na classificação final. “Tem gente que conseguiu mais pontos do que eu e tem condições de vida muito melhores. Achei injusto.â€
Também instalada na rua 1.º de Agosto, a vendedora Eliana Vellasco ficou satisfeita com o resultado final da classificação. Ela obteve 95 pontos e acredita que está numa posição privilegiada. “Acho que vou poder escolher permanecer onde estou. Não quero sair daquiâ€, enfatiza.
Ela é favorável à regulamentação da categoria, “desde que isso traga sossego e tranqüilidade para os camelôs exercerem a sua atividade.â€
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal (Sinteib), Mário Augusto dos Santos, acredita que a semana será bastante agitada para a categoria.
Ele imagina que os camelôs que não conseguiram se classificar vão se movimentar em busca de uma solução para o problema. “Nós vamos apoiar os trabalhadores que estão nessa situação, buscando um espaço para que eles sejam alojadosâ€, salienta.
Para Santos, faltou amadurecimento para a comissão municipal que determinou a pontuação. “Acho que cada caso teria de ser analisado separadamente. Tem gente que tem pouca pontuação, mas precisa muito continuar exercendo a atividade.â€
Nas próximas edições do DOM, de quarta-feira e sábado, será feita a convocação dos classificados para a escolha dos pontos.