Regional

Moradores acompanham mudanças

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Os moradores de Jaú e de Pirajuí são testemunhas fiéis das transformações sofridas pelas estações ferroviárias de cada uma das duas cidades. Seja para o bem ou para o mal, eles acompanham, sofrem e se alegram com as mudanças.

A dona de casa Terezinha Cúleri Ricordi, 49 anos, relembra com saudades o tempo em que viajava de trem entre Pirajuí e Presidente Alves. “Isso foi há 22 anos e agora não existe mais. É uma pena que tenha acabado”, lamenta.

Todos os dias, Terezinha se debruça sobre a janela e acompanha a passagem do trem. “Para mim, isso é um divertimento”, revela a dona de casa, que se encanta também ao ouvir o apito do trem.

Terezinha mora há sete anos em uma das casas que no passado serviu para abrigar funcionários da rede ferroviária.

Ao contrário de outras cidades, as casas não foram invadidas pelos moradores. Segundo Terezinha, tanto ela como outras famílias pagam aluguel pelo uso do imóvel para a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA).

O ambientalista Nélson de Souza, 42 anos, também reside no local e lamenta a situação em que se encontra a estação. Na opinião dele, o grande responsável pela destruição da história ferroviária da região é o governo.

“A privatização do setor, da maneira como foi feita, destruiu nosso patrimônio histórico”, acusa ele.

Souza também vivenciou a época de ouro da ferrovia. Na opinião dele, as viagens eram mais românticas e propícias para novas amizades. Segundo ele, foram momentos alegres, que ficaram no passado e que provavelmente não serão vividos pelo seu filho Matheus, de apenas 6 anos.

Souza também fez parte do grupo de moradores que pressionou a câmara para aprovar a lei de tombamento da estação.

Em vez de ruína, ele quer ver no local um espaço dedicado a eventos culturais ou a um museu histórico.

O ferroviário aposentado Valdir Vendrami, 51 anos, trabalhou durante 24 anos na RFFSA e também testemunhou o declínio da ferrovia.

Ele exercia a função de conservador de via permanente, uma espécie de faz-tudo, e só deixou a empresa após a privatização do setor. Vendrami foi incluído em uma lista de dispensa de funcionários e hoje passa o dia fazendo bicos em fazendas da cidade e cuidando de seu cavalo.

Segundo ele, ver no que se transformou a estação ferroviária de Pirajuí é motivo de aborrecimento.

Tiros

Esse sentimento, no entanto, não faz mais parte do cotidiano dos vizinhos da estação ferroviária de Jaú.

Hoje, transformado na Estação do Som, espaço cultural dedicado a jovens e adolescentes, o local já foi motivo de muita dor de cabeça para a vizinhança e também para a polícia.

Enquanto era apenas um prédio abandonado, a estação servia como um local ideal para o consumo e a venda de drogas e também para a prostituição.

A dona de casa Nair do Amaral Freitas, 81 anos, conta que mais de uma vez ouviu tiros, que segundo ela, eram disparados dentro da estação.

O segurança Carlos dos Reis Costa disse que no início da reforma do prédio ele foi até ameaçado de morte por supostos traficantes.

O aposentado Cristovan Garcia, 76 anos, foi outro que comemorou a inauguração da Estação do Som. Segundo ele, o local deixou de representar perigo para a vizinhança, principalmente à noite.

Na opinião da dona de casa Kelly Cristina Murari Ayub, 27 anos, houve até mesmo uma valorização do bairro. Antes da reforma, segundo ela, havia um temor em morar próximo da estação.

Por estar do lado da praça Antônio Sampaio Ferraz, o bairro ficou conhecido por esse nome.

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