Enquanto Jaú dá exemplo de superação e mobilização em torno da recuperação de sua estação ferroviária, em Pirajuí o exemplo segue no sentido contrário e mostra o que o descaso é capaz de fazer com um patrimônio histórico.
Com pouco mais de R$ 60 mil, prefeitura e iniciativa privada restauraram o imóvel. Ele deixou de ser ponto de encontro de dependentes químicos e prostitutas e hoje serve para abrigar uma orquestra sinfônica juvenil.
Em Pirajuí, a estação sequer serve de abrigo para indigentes. Totalmente destelhado, o imóvel foi invadido pelo mato e pela sujeira.
Em 18 de dezembro de 2001, a Câmara de Vereadores aprovou por unanimidade uma lei que determina o tombamento do local como patrimônio histórico.
Pela lei, qualquer modificação que altere a originalidade da estação, das residências e das ruas, pertencentes à Rede Ferroviária Novoeste S/A, estão proibidas.
De acordo com o presidente da Câmara de Pirajuí, Roberto Viscainho Carretero (PPS), os vereadores vêm cobrando o prefeito Luiz Carlos Serrato (PSD) para que ele desaproprie a área ou compre os imóveis.
Na opinião do vereador, a desapropriação seria o melhor caminho, uma vez que o município não teria dinheiro para comprar o patrimônio.
O prefeito não foi localizado pela reportagem para comentar o assunto.
Imóvel cedido
Em Jaú, após negociação entre prefeitura e Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), a estação foi cedida ao município.
Um empresário da cidade mostrou interesse em explorar o local e se dispôs a bancar a restauração do prédio. Giovani Humberto Felippi reuniu alguns amigos e profissionais e começou a trabalhar no projeto.
Em um ano e meio depois, o aspecto da estação havia mudado drasticamente. Lustres quebrados e enferrujados deram lugar a novos, paredes foram recuperadas e pintadas, o assoalho recebeu cera e brilho novos. Na sala onde há aula de piano, até carpete foi colocado no chão. Nem mesmo um pequeno jardim, ao lado da estação, foi deixado de lado.
Quando as obras estavam quase concluídas, o prédio voltou às mãos do município. Segundo a secretária de Cultura e Turismo, Lucy Monari, o empresário pediu apenas o ressarcimento dos gastos. A restauração foi completada por servidores da prefeitura. E no dia 6 de abril último, a Estação do Som foi inaugurada.
Desde então, o local virou sede do projeto Guri, em que crianças entre 7 e 17 anos aprendem a tocar instrumentos musicais como violão, violino, violoncelo, trompete, sax, piano etc.
Juntos, os 250 alunos formam uma orquestra sinfônica, cuja apresentação inaugural está marcada para o próximo dia 3, no teatro municipal.
A estação ferroviária não é da prefeitura. Segundo Lucy, ela apenas foi cedida pela RFFSA por um prazo de cinco anos, renovável por mais cinco. No entanto, a secretária garante que há interesse do município em comprar o imóvel, em definitivo.