Regional

Estações começam a voltar aos trilhos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Após um período de abandono quase absoluto, as estações ferroviárias começam a fazer parte dos planos de prefeitos de diversas cidades da região. Na maioria dos casos, a intenção é transformar os antigos prédios da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) em centros de cultura e lazer.

Em Jaú, esse projeto já é uma realidade. Nas salas que, no passado, serviram para abrigar o setor administrativo da rede ferroviária e, posteriormente, consumidores de drogas, hoje é sede do projeto Guri. No local, crianças de 7 a 17 anos aprendem a tocar instrumentos musicais e juntos formam uma orquestra.

No entanto, a maioria das estações de trens da região ainda continua abandonada. Após a privatização da malha ferroviária, a partir de 1997, as estações foram se deteriorando e levando consigo um patrimônio histórico e arquitetônico.

Elas foram, aos poucos, sendo destruídas pelo mau estado de conservação e pela ação de vândalos.

Um dos casos mais emblemáticos de abandono e descaso é o da estação de Pirajuí. O prédio, que pertence à Rede Ferroviária Novoeste S/A, está em ruínas.

Nada, no local, lembra a época de ouro da ferrovia, quando a cidade era conhecida como a Rainha do Café, pela vasta produção do produto.

Nas demais cidades, prefeitos e Organizações Não Governamentais (ONGs) têm procurado recuperar as estações. Em vários cantos, tem proliferado o anúncio de projetos de restauração. O mais comum deles é querer transformar os imóveis em centros culturais. Esse é o caso de Dois Córregos, Pederneiras e Botucatu.

Em Piratininga, o prédio já foi inteiramente ocupado. Nas diversas salas da estação a prefeitura acomodou vários departamentos e postos de serviços.

Recentemente, o último espaço vazio foi ocupado pelo PreviCidade, um posto de atendimento da Previdência Social.

Antes dele, foram instalados no local um centro psicopedagógico, o setor social do município, Banco do Povo, Conselho Tutelar, Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) e padaria municipal. Em um galpão próximo estão ainda duas empresas: uma de chupeta e outra de lenços umedecidos.

O imóvel foi adquirido pelo município junto à Rede Ferroviária Paulista S/A (Fepasa) por volta de 1986. Em 1998, todo sistema administrado pela Fepasa foi transferido para a RFFSA.

Na opinião de prefeitos, o abandono das estações ferroviárias estaria ligado a dois fatores principais. O primeiro seria em razão do avanço do transporte rodoviário. O segundo, pela maneira como foi feita a privatização da malha ferroviária.

Por terem ficado apenas com a exploração dos trilhos, as empresas concessionárias deixaram de lado as estações. Alguns imóveis foram devolvidos à RFFSA, que por sua vez os têm negociados, com frequência, com as prefeituras - seja pela compra em definitivo ou por meio de cessão. Nos casos de cessão, os municípios ficam responsáveis pela manutenção e preservação das estações, que já foram símbolos do desenvolvimento da região, do Estado e até mesmo do País, nos anos 60 e 70.

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