RH & Tendências

Empresas investem nos funcionários

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 5 min

Trata-se de uma tendência de mercado: as empresas que não investirem em programas de melhorias para seus funcionários terão muita dificuldade em manter-se economicamente ativas. Isso porque, para melhorar a produtividade e, conseqüentemente, o crescimento da empresa, os colaboradores devem ser sempre estimulados e motivados.

Algumas empresas de Bauru já aderiram a essa tendência e implementam cada vez mais programas novos que visam oferecer oportunidades a seus colaboradores. O objetivo é de que eles participem de discussões para a implementação de melhorias em todas as seções.

Uma indústria de Bauru tem um programa que já foi reconhecido como exemplar pelo Instituto Japonês de Manutenção de Plantas Industriais.

O Programa de Melhorias, como foi denominado, tem como objetivo estimular a criatividade dos funcionários sugerindo melhorias em processos, máquinas, produtos, entre outros. De acordo com o coordenador do programa de Manutenção Produtiva Total (MPT), Ricardo Carrijo, desde 1994, quando foi iniciado o projeto, já se evoluiu muito. “Criamos formulários de avaliação, critérios e hoje temos um número muito expressivo de idéias implantadas”, conta.

Ele afirma que, no ano passado, foram discutidas mais de sete mil sugestões dentro desse programa. “Esse número é muito representativo porque a média brasileira fica em torno de 0,005 sugestões de melhorias por funcionário ao ano. A média americana fica em torno de uma melhoria por funcionário ao ano. No ano passado, nós tivemos mais de seis sugestões, um número muito bom”, diz.

Somente se comparado ao Japão é que esse número fica pequeno. Uma fábrica japonesa, em 1997, conseguiu implementar 19 melhorias por funcionário. No programa implantado pela indústria de Bauru, de acordo com Carrijo, os colaboradores fazem a sugestão que é implementada; depois são contabilizados pontos e a empresa oferece premiações e incentivos tanto para o funcionário, como para sua família.

Carrijo explica que esse programa está inserido no programa de Manutenção Produtiva Total (MPT). “O funcionário, quando tem a possibilidade de participar, produz mais. Isso revela um modelo de gestão da organização, que é uma gestão participativa. O ambiente de trabalho também fica mais agradável”, explica.

Carrijo alerta que todas empresas devem criar programas para que o funcionário possa expor sua criatividade. “Para implementar um programa é preciso muita técnica. Nesses oito anos que realizamos esse trabalho, temos aprendido muito e já evoluímos bastante. Os próprios funcionários colaboram no aprimoramento do projeto que é feito anualmente”, detalha.

Carrijo alerta que a empresa deve oferecer um reconhecimento ao seu colaborador. “Tem que haver um reconhecimento, não só do ponto de vista de premiação, mas também de espaço, do psicológico, valorizando o esforço de aprimoramento do trabalho realizado pelos funcionários”, diz.

Idéia inovadora

A designer visual Flávia Sutti aplica as técnicas aprendidas na Inglaterra para melhorar o visual de funcionários de empresas que se preocupam com o bem-estar de seus colaboradores.

Flávia, em seu trabalho, dá dicas e conselhos de cabelo, maquiagem, roupas e acessórios. Enfim, ela ensina várias técnicas para que as pessoas estejam sempre bem apresentáveis. “A aparência é fundamental para agradar o cliente. Uma pessoa que é atendida por alguém que, além de ser prestativo, está bem vestido, bem apresentável, volta sempre porque percebe que a empresa tem uma preocupação especial para com seus clientes”, explica.

A psicóloga organizacional Cláudia R. Clavizio Santos, diz que esse projeto é arrojado e inovador, mas que deve fazer parte de um projeto ainda maior que englobe outros setores, como infra-estrutura, atendimento ao cliente, entre outros.

Ela acredita que essa preocupação por parte de empresários que se mostram interessados em agradar seus clientes é fundamental para o bom andamento dos negócios.

Esse projeto, de acordo com ela, busca a valorização tantos dos clientes internos, como dos externos.

O projeto parece dar certo. A gerente comercial Rita de Cássia Palma e a empresária Lourdinha Toledo concordam que as atendentes estando bem vestidas, maquiadas e penteadas, agradam. “Isso faz com que nós, quando vamos a algum lugar, nos sintamos importantes porque há uma preocupação em nos agradar”, diz Rita. “Eu acho isso fantástico. Quem aderir a essa técnica está de parabéns. É muito bom ser atendida por gente bonita. Faz bem”, afirma Lourdinha.

A psicóloga Cláudia diz que investir na aparência do colaborador deve ser um objetivo porque, com esse trabalho, é possível, também, melhorar a auto-estima desse funcionário e a capacidade dessa pessoa motivar os terceiros. Ou seja, motiva a pessoa que ela está atendendo a tomar a decisão certa.

Cláudia lembra, ainda, que satisfeitos, os colaboradores formam uma equipe muito mais integrada com relação à empresa se motivam, tornam-se pessoas mais felizes, tornando o ambiente de trabalho muito mais agradável.

Conseguindo fazer com que os funcionários sintam-se bem, conseqüentemente, os clientes serão bem atendidos, por pessoas de bom humor e a empresa deverá ter uma imagem positiva perante seus consumidores. Portanto, todo processo de motivação de funcionários é válido.

Recuperação de dependentes químicos

O Programa para Prevenção e Tratamento do Dependente Químico de uma montadora de carros do Brasil completa este mês 30 anos, com resultados expressivos. A recuperação dos dependentes tem índices de até 60% e cerca de 62% dos participantes retomam os estudos.

Para marcar a data a montadora promoveu, no Dia Internacional de Combate ao Uso de Drogas, na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), um ciclo de palestras com especialistas sobre o assunto. O programa pioneiro da fábrica atende atualmente 170 dependentes e reduziu o número de internações hospitalares de 150 no primeiro trimestre de 1996 para nove em igual período de 2002. No mesmo período, a duração das internações caiu para menos da metade: de 67 para 30 dias. O número de reinternações também diminuiu e houve redução de 58% das horas não trabalhadas em três anos consecutivos.

Em contrapartida, a iniciativa da empresa aumentou a procura por orientação e tratamento nos ambulatórios das fábricas, na fase inicial da dependência química. Houve, ainda, aumento de produtividade e melhoria da qualidade no desempenho profissional dos dependentes.

Pesquisas da montadora confirmam que o programa influi de maneira positiva na convivência familiar, na vida educacional do empregado e na situação econômica, com maior controle do orçamento doméstico e alcance de metas como reforma e construção da casa própria, entre outros itens.

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