Trata-se de uma tendência de mercado: as empresas que não investirem em programas de melhorias para seus funcionários terão muita dificuldade em manter-se economicamente ativas. Isso porque, para melhorar a produtividade e, conseqüentemente, o crescimento da empresa, os colaboradores devem ser sempre estimulados e motivados.
Algumas empresas de Bauru já aderiram a essa tendência e implementam cada vez mais programas novos que visam oferecer oportunidades a seus colaboradores. O objetivo é de que eles participem de discussões para a implementação de melhorias em todas as seções.
Uma indústria de Bauru tem um programa que já foi reconhecido como exemplar pelo Instituto Japonês de Manutenção de Plantas Industriais.
O Programa de Melhorias, como foi denominado, tem como objetivo estimular a criatividade dos funcionários sugerindo melhorias em processos, máquinas, produtos, entre outros. De acordo com o coordenador do programa de Manutenção Produtiva Total (MPT), Ricardo Carrijo, desde 1994, quando foi iniciado o projeto, já se evoluiu muito. “Criamos formulários de avaliação, critérios e hoje temos um número muito expressivo de idéias implantadasâ€, conta.
Ele afirma que, no ano passado, foram discutidas mais de sete mil sugestões dentro desse programa. “Esse número é muito representativo porque a média brasileira fica em torno de 0,005 sugestões de melhorias por funcionário ao ano. A média americana fica em torno de uma melhoria por funcionário ao ano. No ano passado, nós tivemos mais de seis sugestões, um número muito bomâ€, diz.
Somente se comparado ao Japão é que esse número fica pequeno. Uma fábrica japonesa, em 1997, conseguiu implementar 19 melhorias por funcionário. No programa implantado pela indústria de Bauru, de acordo com Carrijo, os colaboradores fazem a sugestão que é implementada; depois são contabilizados pontos e a empresa oferece premiações e incentivos tanto para o funcionário, como para sua família.
Carrijo explica que esse programa está inserido no programa de Manutenção Produtiva Total (MPT). “O funcionário, quando tem a possibilidade de participar, produz mais. Isso revela um modelo de gestão da organização, que é uma gestão participativa. O ambiente de trabalho também fica mais agradávelâ€, explica.
Carrijo alerta que todas empresas devem criar programas para que o funcionário possa expor sua criatividade. “Para implementar um programa é preciso muita técnica. Nesses oito anos que realizamos esse trabalho, temos aprendido muito e já evoluímos bastante. Os próprios funcionários colaboram no aprimoramento do projeto que é feito anualmenteâ€, detalha.
Carrijo alerta que a empresa deve oferecer um reconhecimento ao seu colaborador. “Tem que haver um reconhecimento, não só do ponto de vista de premiação, mas também de espaço, do psicológico, valorizando o esforço de aprimoramento do trabalho realizado pelos funcionáriosâ€, diz.
Idéia inovadora
A designer visual Flávia Sutti aplica as técnicas aprendidas na Inglaterra para melhorar o visual de funcionários de empresas que se preocupam com o bem-estar de seus colaboradores.
Flávia, em seu trabalho, dá dicas e conselhos de cabelo, maquiagem, roupas e acessórios. Enfim, ela ensina várias técnicas para que as pessoas estejam sempre bem apresentáveis. “A aparência é fundamental para agradar o cliente. Uma pessoa que é atendida por alguém que, além de ser prestativo, está bem vestido, bem apresentável, volta sempre porque percebe que a empresa tem uma preocupação especial para com seus clientesâ€, explica.
A psicóloga organizacional Cláudia R. Clavizio Santos, diz que esse projeto é arrojado e inovador, mas que deve fazer parte de um projeto ainda maior que englobe outros setores, como infra-estrutura, atendimento ao cliente, entre outros.
Ela acredita que essa preocupação por parte de empresários que se mostram interessados em agradar seus clientes é fundamental para o bom andamento dos negócios.
Esse projeto, de acordo com ela, busca a valorização tantos dos clientes internos, como dos externos.
O projeto parece dar certo. A gerente comercial Rita de Cássia Palma e a empresária Lourdinha Toledo concordam que as atendentes estando bem vestidas, maquiadas e penteadas, agradam. “Isso faz com que nós, quando vamos a algum lugar, nos sintamos importantes porque há uma preocupação em nos agradarâ€, diz Rita. “Eu acho isso fantástico. Quem aderir a essa técnica está de parabéns. É muito bom ser atendida por gente bonita. Faz bemâ€, afirma Lourdinha.
A psicóloga Cláudia diz que investir na aparência do colaborador deve ser um objetivo porque, com esse trabalho, é possível, também, melhorar a auto-estima desse funcionário e a capacidade dessa pessoa motivar os terceiros. Ou seja, motiva a pessoa que ela está atendendo a tomar a decisão certa.
Cláudia lembra, ainda, que satisfeitos, os colaboradores formam uma equipe muito mais integrada com relação à empresa se motivam, tornam-se pessoas mais felizes, tornando o ambiente de trabalho muito mais agradável.
Conseguindo fazer com que os funcionários sintam-se bem, conseqüentemente, os clientes serão bem atendidos, por pessoas de bom humor e a empresa deverá ter uma imagem positiva perante seus consumidores. Portanto, todo processo de motivação de funcionários é válido.
Recuperação de dependentes químicos
O Programa para Prevenção e Tratamento do Dependente Químico de uma montadora de carros do Brasil completa este mês 30 anos, com resultados expressivos. A recuperação dos dependentes tem índices de até 60% e cerca de 62% dos participantes retomam os estudos.
Para marcar a data a montadora promoveu, no Dia Internacional de Combate ao Uso de Drogas, na fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), um ciclo de palestras com especialistas sobre o assunto. O programa pioneiro da fábrica atende atualmente 170 dependentes e reduziu o número de internações hospitalares de 150 no primeiro trimestre de 1996 para nove em igual período de 2002. No mesmo período, a duração das internações caiu para menos da metade: de 67 para 30 dias. O número de reinternações também diminuiu e houve redução de 58% das horas não trabalhadas em três anos consecutivos.
Em contrapartida, a iniciativa da empresa aumentou a procura por orientação e tratamento nos ambulatórios das fábricas, na fase inicial da dependência química. Houve, ainda, aumento de produtividade e melhoria da qualidade no desempenho profissional dos dependentes.
Pesquisas da montadora confirmam que o programa influi de maneira positiva na convivência familiar, na vida educacional do empregado e na situação econômica, com maior controle do orçamento doméstico e alcance de metas como reforma e construção da casa própria, entre outros itens.