O primeiro e maior condomínio horizontal fechado de Bauru, o Jardins do Sul, satisfaz moradores, encanta visitantes e seduz os que estão à procura do imóvel próprio. Situado na zona sudoeste, vizinho do luxuoso Shangri-lá, o residencial concentra moradores de classe média e parece ter deles aprovação unânime.
Dos 224 lotes colocados à venda, 160 já foram construídos e, com uma ou outra exceção, estão todos habitados. Professores universitários e profissionais liberais casados e com filhos compõem o perfil da maioria dos condôminos, que não se cansam de elencar a lista de benefícios que têm em residir no local.
“Não tenho do que me queixar aqui, muito pelo contrário, acho tudo ótimoâ€, sentenciou Eliphas Bueno Resende, supervisor de distribuição, que está há dois anos e meio no endereço. Na opinião dele e da esposa, a psicopedagoga Cláudia, o melhor é garantir qualidade de vida para as filhas Marina, de 8 anos, e Giulia, de 2 meses.
“Viemos de São Paulo, mas a preocupação com a Marina não acabou quando chegamos em Bauru. Morávamos na Bela Vista, numa rua de trânsito intenso de ônibus, vizinhos de um bar e de uma igreja. Não dava para deixá-la brincar na rua. Hoje, não. Ela sai com as amiguinhas, anda sozinha por aí e ficamos sossegados. Não há o que pague issoâ€, enumerou Resende.
O espaço verde - o residencial é cercado por uma mata de preservação permanente - também agrada a família, que cultiva um belo jardim na frente de casa e um espaço no fundo para plantas mais delicadas. “Ter jardim externo é obrigação aqui. A lei do condomínio exige seis metros de grama frontal e proíbe a construção de muros. Isso facilita um contato quase involuntário com os vizinhos, o que é muito bom e novo na nossa vidaâ€, acrescentou Cláudia.
A distância da cidade não é problema para o casal, acostumado com o trânsito da Capital. “Levo apenas 10 minutos para chegar ao trabalho e não pego um único farol até o supermercado. O pão, o jornal, o leite e algum outro produto urgente podem ser comprados aqui dentro mesmo, na lanchonete da área de lazer. Definitivamente, temos tudo.â€
Sossego e natureza assustam
Longe do trânsito e do movimento urbano, o Jardins do Sul é um lugar de silêncio absoluto, principalmente à noite. “Esse sossego total atrapalhou nosso sono nos primeiros dias. Estávamos tão acostumados com o barulho de ônibus e gente que a ausência de ruídos nos assustou. Aqui só se ouve corujas, passarinhos e galosâ€, contou Cláudia Resende.
Quem também estranhou o início da vida nos Jardins do Sul foi a farmacêutica-bioquímica Daniela Nicolieco, fóbica por “bichos pequenosâ€. “Quase morri quando minha casa começou a ser freqüentada por grilos, aranhas e gafanhotosâ€, exagerou, destacando que hoje em dia está tão acostumada ao ponto de ter tido coragem para exterminar dois escorpiões que invadiram sua residência. “Minha vizinha já matou cobra e até macaco aparece por aquiâ€, emendou.
Ao contrário de muitos bairros periféricos que enfrentam problemas com bichos peçonhentos, no Jardins do Sul a causa não está ligada ao acúmulo de lixo ou entulhos. Estamos no meio de uma mata nativa e temos que conviver com essa naturezaâ€, consolou-se.
Enquanto a farmacêutica se descabela com os pequenos inimigos, seu marido, o administrador de empresas Juliano, festeja. “Ele ama essas coisasâ€, entregou. Foi a paixão pelo verde, por sinal, que levou o casal para o condomínio.
“Quando resolvemos nos casar, insisti no apartamento por causa da segurança. Sou muito medrosa. Já ele queria casa para poder criar cachorro, fazer churrasco para os amigos e ter área verde. O Jardins do Sul foi fundamental para acabar com a discórdia. Me sinto tranqüila (o local tem ronda motorizada 24 horas) e ele, satisfeito com a liberdade que a casa térrea proporcionaâ€, finalizou.
Lazer privativo
O condomínio Jardins do Sul foi concebido para servir ao lazer dos moradores. “Queria um lugar que possibilitasse a vida em comunidade e proporcionasse uma tranqüilidade das típicas cidadezinhas do Interiorâ€, descreveu Eduardo Ferraz de Campos Salles, diretor do Grupo Baurucar e idealizador do projeto.
O objetivo, segundo os próprios condôminos, foi alcançado. Dentro do residencial, em cujas ruas se vê crianças brincando e vizinhos tricotando nos jardins externos, uma ampla área foi dedicada à diversão.
O complexo inclui salões de jogos e festas dotados de berçário e sanitários, saunas masculina e feminina, lanchonete (explorada por uma moradora), playground, piscinas para crianças e adultos, duas piscinas exclusivas de biribol, duas quadras de vôlei de areia, duas quadras poliesportivas e um campo de futebol.
Nos fins-de-semana, o local fica lotado. A grande vantagem é que todos têm um clube privado em casa. “Lá, a mulher não pode reclamar do marido que vai tomar a cervejinhaâ€, brincou Salles, que não cansa de comemorar o sucesso do empreendimento.
O interessante é que tudo isso custa pouco se comparado à média das taxas dos condomínios tradicionais. Os valores variam de R$ 109,00 a R$ 140,00, dependendo do tamanho do lote.
Comunidade organizada
O que surpreende no condomínio Jardins do Sul é grau de organização e sentimento comunitário dos moradores. O resultado é visível: tudo muito limpo e cuidado, além de projetos inovadores.
“Aqui temos o síndico, o subsíndico e os conselheiros, que se dividem nas áreas fiscal, social, administrativa e de promoções. Temos também os voluntários, que atuam naquilo que gostam de fazer. O modelo deu certo, pois todos cumprem suas funções com gosto e prazerâ€, comemorou César Cavalcanti, desde março na cadeira de síndico.
Os apaixonados pelo verde, por exemplo, dedicam seu tempo livre aos jardins comuns e já se movimentam para a criação de um grande pomar comunitário. Os médicos que moram no local contribuem fazendo os exames obrigatórios para o uso das piscinas. Um grupo de jovens colabora na educação dos menores. “Quando temos algum problema envolvendo crianças, eles entram em açãoâ€, contou.
Na opinião de Cavalcanti, que também tira o chapéu para o lugar, apenas duas questões precisam ser resolvidas para garantir a satisfação plena dos condôminos.
Uma é a construção de um abrigo para o lixo reciclável. O espaço disponível já não suporta a quantidade de material acumulado, o que enfeia parte da paisagem. A segunda providência é com relação ao transporte coletivo, que não atende o condomínio.
O ponto de ônibus mais próximo fica muito distante, um problema para quem depende de empregadas domésticas. “Vamos fazer um abaixo-assinado para tentar dotar nosso residencial de circularâ€, prometeu Cavalcanti.