Bairros

Modelo chega às classes média e baixa

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Representantes das classes média e baixa estão podendo desfrutar da segurança inerente aos condomínios fechados. A possibilidade tem relação direta com a participação da Caixa Econômica Federal (CEF) nesses empreendimentos.

Segundo informações do Escritório de Negócios da instituição em Bauru, 332 moradias foram construídas entre 1997 e 2002 dentro do Programa Carta de Crédito Associativo, uma modalidade de financiamento com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). No total, foram liberados R$ 8 milhões.

Foram viabilizados pela CEF os condomínios Bosque da Saúde, Residencial Primavera, Villaggio Via Verde e Jardins do Sul, estes últimos com previsão de novos módulos. Dos quatro, apenas o Jardins do Sul foge do padrão popular, com casas no valor médio de R$ 45 mil, 66,4 metros quadrados de área construída e 250 metros quadrados de terreno.

As vendas no Jardins do Sul alavancaram depois que o empreendedor firmou parceria com a Caixa. “Inicialmente, a comercialização era feita apenas pelo Plano Baurucar, que oferecia construções maiores, mas em condições menos favoráveis em termos de juros e prazo de pagamento. Quando a Caixa entrou, o negócio deslanchou, pois os juros de 6% ao ano, o financiamento em 20 anos e a possibilidade de utilizar o FGTS são muito mais atrativos”, reconheceu o idealizador do empreendimento, Eduardo Ferraz de Campos Salles.

Na última etapa de vendas, 76 unidades foram comercializadas. O Plano Baurucar continua no negócio. “As vendas dispararam, especialmente com a publicidade dos próprios moradores”, enalteceu.

Categorias se unem

As condições facilitadas também motivaram professores da rede estadual a formar uma cooperativa habitacional e viabilizar a construção do Residencial Villaggio Via Verde, localizado na avenida Waldemar Gonçalves Ferreira, Jardim Marilu.

“O pessoal sonhava com a casa própria, mas também queria segurança, principalmente para as crianças - filho de professor costuma passar muito tempo sozinho. Foi aí que surgiu a idéia da cooperativa e do condomínio fechado”, contou Suzi da Silva, professora e conselheira do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

Inaugurado em setembro do ano passado, o residencial tem 61 unidades, das quais pouquíssimas não são habitadas por profissionais da categoria. Apesar da fachada igual, as casas diferem no tamanho (dois e três dormitórios ou três dormitórios, sendo um suíte). Em média, a prestação gira em torno de R$ 215,00, além da taxa de condomínio.

Na opinião de Susi, o empenho valeu a pena. “Todos parecem contentes; as crianças estão à vontade e a convivência tem sido muito boa, principalmente na área de lazer, que tem piscina e churrasqueira. À noite, temos ronda noturna para nos deixar ainda mais tranqüilos. Quem ficou de fora, tem até deixado nome numa lista de interessados, mas a Caixa exige um mínimo de 30 pessoas para liberar o financiamento”, lamentou.

Embora menos coesos do que os professores, trabalhadores do setor de saúde também se movimentaram em torno de um projeto habitacional. O resultado surgiu em 1997, com a inauguração do Bosque da Saúde. Quem não é da categoria estabeleceu-se no local a convite de amigos, parentes ou mesmo entidades sindicais chamadas a compor o empreendimento.

A dona de casa Neusa Aparecida Santil de Carvalho, por exemplo, nunca trabalhou fora e seu marido é advogado. Mesmo assim, foi parar no Bosque da Saúde, um local, na opinião dela, delicioso em razão do sossego e das amizades.

Maria de Lourdes Barros, enfermeira aposentada, conseguiu uma casa no condomínio graças a uma desistência. “Eu morava de aluguel perto da Rodoviária, um lugar muito barulhento e movimentado. Aqui, consegui aliar o desejo de ter minha própria casa ao sossego. Estou muito feliz”, disse.

Um novo condomínio fechado de padrão semipopular está sendo erguido no Jardim Jussara. O residencial, já batizado de Primavera, possui apenas 32 casas e deverá ser entregue em agosto próximo. A maioria das casas dispõe de equipamento de captação de energia solar, mas o sistema não está embutido no financiamento da Caixa. A novidade foi “vendida” em virtude do racionamento que surpreendeu todo o País recentemente.

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