As estatísticas da Polícia Militar atestam a segurança dos residenciais fechados. Em 2002, por exemplo, nenhuma ocorrência importante foi registrada nesses locais, segundo informações da 1.ª Companhia da PM.
Nesse primeiro semestre, apenas desinteligências e um acidente de trânsito sem vítimas constam nos relatórios. O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1ª Cia, tem conhecimento também sobre furtos de materiais de construção, mas nenhum dos casos chegou a ser registrado oficialmente.
“Roubos, arrombamentos e furtos em residências, comuns nos bairros tradicionais, raramente acontecem. A existência da portaria e dos muros que cercam as casas desestimulam a ação de marginais. É muito mais difícil um ladrão transpor essas barreiras com objetos de grande porteâ€, comentou Meira.
Mesmo assim, o capitão recomenda o incremento nos equipamentos de segurança, como alarmes residenciais e rondas internas. No Jardim Colonial, onde mora, um moderno sistema de sensores foi instalado para guardar as áreas limítrofes. O dispositivo cria barreiras de raios infra-vermelhos, que disparam imediatamente um sinalizador quando são violados.
â€œÉ claro que nunca conseguiremos garantir uma segurança 100% eficaz, mas quanto mais dificultarmos a presença de marginais, melhorâ€, aconselhou, lembrando que lançar mão de cães de guarda também ajuda muito.
Questionado sobre o fato de as pessoas encararem a segurança individualmente e não como conseqüência das diferenças sociais, Meira foi enfático. “Compreendo os que criticam o isolamento e a segurança pessoal, mas a violência está aí e não podemos nos expor, fingir que ela só vitima os outros. Entendo também que os muros enfeiam a cidade do ponto de vista urbanístico, mas mais prejudiciais que eles são os núcleos populares imensos, sem muros entre as casas e com portas e janelas de má qualidadeâ€, disparou o comandante.