A 14.ª Conferência Mundial de Aids, realizada em Barcelona (Espanha) desde o último domingo, reúne cerca de 15 mil profissionais ligados aos programas de combate à aids no mundo. Na pauta de discussões, o tema central é buscar novas formas de prevenção que interrompam a evolução da pandemia nos países do terceiro mundo, onde todos os indicadores da aids estão no vermelho.
Um levantamento realizado pelo Centro de Controle de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, mostra que a única prevenção possível - o uso do preservativo - não tem sido um hábito regular e a orientação neste sentido precisa ser constante.
O estudo mostra que, no mundo inteiro, são distribuídos apenas dois preservativos para cada homem por ano. O cálculo inclui recém-nascidos e idosos, mas merece ser considerado com atenção. Ele indica a pequena procura pela camisinha num momento em que todos os números mostram uma epidemia em crescimento constante.
Esta realidade envolve, inclusive, os homossexuais norte-americanos, cuja comunidade foi a primeira a ser afetada pela doença no início dos anos 80 e que batalhou duramente pela informação. A taxa de contaminação pelo HIV e as doenças sexualmente transmissíveis é nove vezes mais elevada entre eles que entre os homens e mulheres heterossexuais.
A única mudança notável, segundo o estudo, pode ser observada entre os homossexuais afro-americanos ou hispânicos, que formam o grande batalhão de portadores do vírus. Com mais de 6% da taxa de infecção, eles são três vezes mais afetados que os gays da raça branca.
Outro estudo do CDC revela que a grande maioria dos jovens afro-americanos homossexuais soropositivos (entre 75% e 91%) não sabe que tem o vírus. Segundo a pesquisa, problemas psicológicos (depressão, toxicomania, violência entre casais) estão diretamente ligados a comportamentos de risco, pois contribuem para a multiplicação das relações sexuais sem proteção.
US$ 10 bilhões
Durante a abertura da conferência, o diretor-executivo da Onuaids, Peter Piot, “lembrou†aos líderes políticos presentes que eles devem manter suas promessas e disponibilizar a verba necessária aos programas de combate à aids.
“Precisamos de US$ 10 bilhões de dólares, e isso não é negociávelâ€, insistiu. Ele reiterou que é preciso atacar em duas frentes ao mesmo tempo: campanhas de incentivo à prevenção e disseminação do tratamento em larga escala.
Na opinião do médico, a verba da US$ 10 bilhões por ano, durante dez anos, representa uma resposta mínima à pandemia.