A inauguração do prédio que abrigará o Hemonúcleo de Bauru, que atualmente funciona ao lado do Bauru Shopping, em imóvel alugado, está prevista para o final deste mês. O novo edifício, de 1.800 metros quadrados de área e dois pavimentos, oferecerá melhor infra-estrutura aos doadores e dará condições de ampliar a quantidade de sangue coletado.
O prédio está em fase final de construção, ao lado do Hospital de Base, ao qual o banco de sangue é administrativamente ligado. Além de maior, atenderá a reivindicação de boa parte dos doadores, que é a transferência do hemonúcleo para um local mais próximo do Centro, afirma Joseph Saab, presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), entidade que mantém os hospitais de Base e Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel.
O Hemonúcleo de Bauru coleta, em média, 35 bolsas de sangue por dia, quantidade insuficiente para abastecer todos os hospitais de Bauru e região. “O ideal seria termos 100 doadores por dia. Com 35, muitas vezes o sangue é enviado para o hospital no mesmo dia da coleta, assim que os exames do material são terminadosâ€, conta Marcos Roberto Turacci, bioquímico do banco de sangue.
Apesar de cirurgias não terem sido canceladas em função da falta de sangue recentemente, a preocupação com o estoque é freqüente, diz Turacci. O problema é maior em épocas de queda no número de doadores, como no inverno e férias.
Por conta do estoque baixo, alguns hospitais da área da Direção Regional de Saúde (DIR-10) são abastecidos por outros hemonúcleos, já que o de Bauru trabalha com estoque quase zero, conta Saab. A localização atual do banco de sangue é um fator que dificulta aumentar o número de doadores, na opinião de Turacci.
Ele conta que muitas pessoas reclamam que têm que pagar dois ônibus para chegar ao banco de sangue. “Dependendo do bairro em que o doador mora, ele gasta até R$ 4,00 com ônibus para ir e voltar do hemonúcleo. É um dinheiro que sai do bolso do doador. Quem ganha pouco deixa de doarâ€, sustenta.
O hemonúcleo cobra por bolsa de sangue fornecida ao hospital, preço relativo aos serviços de coleta, análise e processamento do material. “O que encarece o preço do sangue é a bolsa de plástico usada para acondicioná-loâ€, afirma Saab.
O novo prédio do banco de sangue está orçado em R$ 1,2 milhão, sendo que 80% do valor é pago pela Reforsus, programa do Ministério da Saúde, e 20% pela Secretaria Estadual de Saúde. “A única participação da AHB é a fiscalização da obra, através de um engenheiroâ€, diz Saab.
Dependendo do interesse dos doadores, a coleta de sangue poderá ser feita durante todo o dia, de acordo com Saab, e não apenas no período da manhã, como ocorre hoje. O número de poltronas coletoras passará de cinco para dez. “Acreditamos que a quantidade de doadores vai dobrar ou triplicarâ€, espera Turacci.
Ele explica que nos últimos tempos, para driblar a falta de doadores têm sido realizadas campanhas e coletas dentro de empresas e com universitários. Para doar sangue, é preciso ter mais de 55 quilos, idade entre 18 e 55 anos. É recomendável a doação a cada três meses.
Saab afirma que se o número de doadores aumentar muito, também será preciso contratar mais funcionários. Atualmente, o banco de sangue funciona com duas médicas e uma equipe técnica de mais de 30 funcionários, formada por bioquímicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem.
Volta ao HB
O Hemonúcleo de Bauru funcionava nas dependências do Hospital de Base há alguns anos. Porém, teve que ser transferido para um prédio maior porque o Ministério da Saúde determinou que a produção de sangue fosse aumentada, para abastecer os hospitais da região, conta Joseph Saab, presidente da Associação Hospitalar de Bauru (AHB).
Como no Hospital de Base não havia espaço livre, a AHB alugou um imóvel próximo ao Bauru Shopping pagando R$ 5 mil mensais. “Conseguimos a verba para construir um novo prédio, que está quase pronto. Acredito que será suficiente para atender Bauru e região pelos próximos 15 ou 20 anosâ€, diz.
Saab afirma que o novo prédio está sendo construído conforme as exigências da vigilância sanitária e terá equipamentos modernos.
Doadores aprovam nova localização
O administrador de empresas Márcio Augusto Lopes de Campos, doador de sangue há cerca de seis anos, apesar de não considerar ruim a atual localização do banco de sangue, vê com bons olhos a construção de um novo prédio. “Se será maior e terá mais poltronas coletoras, será melhor para conscientizar as pessoas da necessidade de se doar sangueâ€, diz.
Ele conta que faz a doação a cada três meses porque é um ato que pode ajudar outras pessoas e não lhe custa nada. “Se posso compartilhar, não me faz falta e nem mal para a saúde, então por que não doar?â€, questiona. Ele sugere ao hemonúcleo a elaboração de um banco de dados dos doadores, para que eles sejam chamados na época da próxima doação, caso não apareçam espontaneamente.
A empregada doméstica Maria Lúcia Pereira, que mora no Parque Santa Edwirges e doou sangue uma vez, acha que a atual localização do banco de sangue é um fator dificultador. “Para doar sangue, eu teria que pegar dois ônibus. Se fosse no HB, como era antes, poderia doar quando estivesse indo para o trabalho, sem gastar mais nadaâ€, afirma.