Polícia

CPI-4 terá reforço de 200 policiais

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Bauru e região vão receber, em breve, um reforço policial de mais de 200 homens destinados ao patrulhamento preventivo. Os policiais militares que trabalham nos setores administrativos e na vigilância dos presídios vão para as ruas com a contratação dos guardas de muralha. O reforço é uma das ações da Secretaria de Segurança Pública no combate à criminalidade, explicou o titular da pasta, Saulo de Castro Abreu Filho.

Ele esteve ontem em Bauru para entregar 22 viaturas para a Polícia Civil e inaugurar a Base Comunitária Sudeste da Polícia Militar (leia mais nesta página). Abreu Filho veio a Bauru acompanhado do delegado geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo.

Na opinião de Abreu Filho, a segurança no Interior paulista deve ser reforçada para que os índices de criminalidade se mantenham no mesmo patamar. “Crimes mais violentos são praticamente inexistentes no Interior, mas não resolve investirmos só na Capital. É um trabalho contínuo”, afirma.

Ele salienta que quando a polícia aperta o cerco nas grandes metrópoles há uma tendência do crime se interiorizar. “Há uma tendência de migração porque a marginalidade avalia que o Interior é mais frágil. Por isso estamos melhorando os equipamentos em todas as regiões do Estado de São Paulo”, frisa.

O secretário negou que a preocupação com segurança pública seja fruto do que está ocorrendo no Rio de Janeiro no setor. “Por enquanto não temos o que temer. Não detectamos a migração de marginais. Estamos monitorando todo este pessoal através do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic)”, sustenta.

De acordo com ele, a fronteira entre os Estados está sendo monitorada pela Polícia Rodoviária. “Nós estamos ligados nesse assunto. A gente troca informações com os cariocas. O pessoal do crime organizado está sendo monitorado tanto que prendemos todo mundo da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC)”, frisa.

Abreu Filho afirma que em breve mais policiais estarão nas ruas. “A seleção dos agentes de muralha já foi feita. Agora eles estão sendo treinados pela PM e nos próximos dias deverão tomar posse do cargo”, frisa.

Além dos agentes de muralha, que liberarão policiais militares para o policiamento, Abreu Filho ressalta que a contratação de soldados temporários é outra alternativa que vai colaborar para o reforço policial. “Jovens de 18 a 23 anos foram selecionados e treinados para assumir funções administrativas, liberando os policiais para o patrulhamento de ruas”, ressalta.

Na opinião dele, com esses dois programas, a polícia vai voltar a fazer o seu trabalho típico. “O atípico ficará com o serviço burocrático e com a guarda das muralhas”, afirma. Os presídios de Bauru - as penitenciária 1 e 2 - devem liberar cerca de 80 policiais militares para o policiamento de rua, segundo o comandante do Comando de Policiamento Interior-4 (CPI-4), coronel Hélder Pereira.

“Não sabemos quando isso vai acontecer ainda. Dependemos da decisão da Secretaria da Administração Penitenciária. Eles é que vão, gradativamente, colocar os agentes nos lugares dos policiais”, explica.

Mas o coronel ressalta que em algumas penitenciárias da região de abrangência do CPI-4, os policiais serão mantidos. “Especialmente nos presídios de segurança máxima. Temos 21 penitenciárias na área do CPI-4”, conta.

Na penitenciária de Pirajuí, segundo o coronel Helder Pereira, são 60 policiais que fazem a guarda externa. “Vamos distribuir esse efetivo pela região, mas nessas cidades onde há presídio será necessário manter um efetivo maior para atender os casos de rebeliões”, frisa.

O programa de soldados temporários, de acordo com o coronel Helder, vai liberar 32 policiais do CPI-4. “São 22 do CPI-4, sendo e dez só no 4.º Batalhão. Esse efetivo reforçará o policiamento escolar e a pé na área central e zona bancária”, adianta.

A formatura do soldados temporários que estão sendo treinados na sede do CPI-4 está agendada para 20 de agosto. “São 120 soldados temporários que serão distribuídos para a Polícia Militar urbana, rodoviária, bombeiros e ambiental”, completa.

Sobre a rebelião ocorrida na Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem) de Franco da Rocha, o secretário de Segurança Pública comenta que a unidade de lá não pode ser comparada com as demais. “Franco da Rocha não tem nenhuma comparação com outras unidades do Interior onde existem 48 internos. Lá há 1.200”, justifica.

Em Bauru, segundo ele, serão no máximo 48 internos. “Nas unidades de pequeno porte não temos tido dificuldades. Só temos problemas nas unidades maiores, que abrigam um grande número de menores motivadas por fatores internos da instituição”, diz.

Repressão

O delegado geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo, afirma que as 22 novas viaturas para o serviço repressivo fortalece a atuação da polícia. “A população é que ganha com isso”, diz.

Ele ressalta que o reforço de viaturas para a Polícia Civil de Bauru, direcionado ao grupo anti-seqüestro, é uma ação preventiva. “Os seqüestros não existem no Interior e é para continuar não existindo. Na Capital nós derrubamos o índice desse crime e a tendência de queda já é visível na curva estatística”, frisa.

Ele garante que os investimentos policiais estão sendo feitos não só na área de seqüestros. “Estamos investindo não só nessa área, mas na redução de homicídios, que é um dos crimes mais graves. Temos um decréscimo de homicídios. Isso é bom para São Paulo”, frisa.

Ele festeja o índice de criminalidade de Bauru e região. “Estamos contentes com a região porque estatisticamente está provado que aqui não ocorrem crimes como em outras cidades de mesmo porte. O serviço de polícia tem que ser robustecido para que o índice seja permanente”, frisa.

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