Jorge Salomão, 88 anos, é considerado o comerciante mais antigo de Bauru. Sua loja, a Casa São Jorge, foi inaugurada pelo pai em 1905, entre as tantas que se ergueram ao redor da estação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. “Naquela época, o dinheiro pingava por todos os ladosâ€, relembra.
No começo, era um armazém de secos e molhados, que abastecia mascates e comerciantes que iam para o Mato Grosso via trem. Filho único, seu Jorge nasceu em 1914 e cresceu na “boca do balcãoâ€. Natural que não houvesse outra “saída†para ele que não o comércio. “Isso aqui era uma mina, dava dinheiro para todo mundoâ€, relata.
Com o tempo, a loja se especializou em tecidos e seu Jorge assumiu a frente dos negócios. Segundo conta, já era necessário uma certa dose de agressividade para conduzir os negócios. “Quando havia uma concorrência, eu estava láâ€, observa.
Décadas depois, seu Jorge vivenciou o declínio da estrada de ferro e, conseqüentemente, a queda no faturamento. Ele diz que pegou o comércio numa fase boa, mas, na opinião dele, o ramo passa agora por uma fase muito ruim.
Segundo seus funcionários, seu Jorge ficava no balcão até há um mês. Queria atender os clientes, estudar os balanços e fazia questão de ir pessoalmente aos bancos. Como esteve muito doente nos últimos dias, a fraqueza o impede de acompanhar as vendas.
Atualmente, seu Jorge está um pouco desanimado com o comércio. Diz que a concorrência com as grandes lojas atrapalha seus negócios. Tecido, conta ele, hoje é um ramo muito difícil para ganhar dinheiro. “As pessoas agora já compram a roupa prontaâ€, reclama.