Polícia

Dinheiro vai para a família e lanches

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 1 min

Todas as cinco meninas que pediam dinheiro na quadra 7 da Getúlio Vargas ontem à tarde disseram ao JC que moram com suas famílias, prefeririam ficar em suas casas, mas precisam de dinheiro para ajudar os pais ou para comprar o que eles não podem oferecer a elas.

Falando como adultas, elas contam que boa parte do dinheiro é entregue para as mães e que o restante é gasto com lanches e doces na rua mesmo. A renda das ruas também permite às crianças ir e voltar de casa de mototáxi. “A gente paga mototáxi porque o ônibus não pára para crianças”, afirma uma delas.

A desestrutura familiar é um dos fatores alegados para a mendicância. “Eu tenho 11 irmãos. Dois estão presos e alguns fazem carreto. Mas eu peço na rua para comprar minha roupa”, conta a mais velha do grupo, de 14 anos.

Outra, de 12 anos, afirma que sua mãe está desempregada. “Tenho dois irmãos menores. Meu pai está na cadeia. Não tem jeito, tenho que pedir”. Uma outra menina, de 13 anos, a única que está na escola, conta que sua mãe não gosta que ela peça dinheiro nas ruas. “Minha mãe não gosta. Meu pai trabalha na prefeitura fazendo rua. Tenho seis irmãos e o dinheiro não dá para comprar cadernos grandes, como das colegas. Então peço para ter meu próprio dinheiro”, explica.

As meninas só fazem uma pausa na mendicância quando percebem a aproximação da viatura da Polícia Militar. “Eles levam a gente para o Conselho Tutelar tia. Eu não quero ir”, afirmam e saem correndo, virando a esquina. Elas só voltam quando têm certeza que a viatura está distante.

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