Economia & Negócios

Comprar ações do BB exige cautela

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Economistas consultados pelo Jornal da Cidade indicam cautela aos trabalhadores interessados em comprar ações do Banco do Brasil (BB), que serão colocadas à venda a partir de setembro, pelo fato de tratar-se de um mercado de risco. A orientação é para que o investimento não comprometa mais do que, no máximo, 25% do valor disponível para a aplicação. Para a compra, poderão ser utilizados recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

As orientações básicas estão sendo passadas mesmo antes do banco definir detalhes da operação, como os descontos que serão oferecidos para a compra, porque é um assunto que já despertou o interesse de muitos. A experiência positiva de quem investiu nas ações da Petrobras estimulou grande número de trabalhadores a conhecer o mercado.

O economista Wagner Ismanhoto diz que os cuidados são necessários porque o mercado de ações sempre envolve riscos, ou seja, os investidores ficam sujeitos à volatilidade desse mercado. A orientação básica é não comprometer grande volume do orçamento nesse investimento, porque os resultados só serão conhecidos com o tempo; não há como fazer previsões.

“Quando se fala em mercado de ações, está se falando em operação de risco. Esse não é o perfil do investidor brasileiro, ao contrário do que ocorre em outros países, onde os próprios funcionários compram ações das empresas em que trabalham. Quem comprou ações da Petrobras, por exemplo, ganhou muito. Já quem investiu nas ações da Vale do Rio Doce, não ficou muito contente com os rendimentos. Mas no mercado de ações, o resultado só é conhecido quando o investidor vai contar seu dinheiro”, diz Ismanhoto.

O economista ressalta que, para começar, o trabalhador que se interessar pela compra de ações do BB não deve apostar todas as suas economias nisso. “Nenhum investidor consciente direciona mais que 25% da sua carteira de investimentos para o mercado de ações. Quem tem R$ 200,00 sobrando, não deve investir mais do que R$ 50,00 na compra de ações. Da mesma forma que os rendimentos podem vir a dobrar, também podem ser muito pequenos, tornando o negócio desinteressante”, observa.

Ismanhoto também cita o fator liquidez. Quando se tem uma Caderneta de Poupança, por exemplo, mesmo o rendimento sendo pequeno (cerca de 0,7% ao mês), a qualquer momento a quantia pode ser sacada e direcionada para o objetivo desejado. No caso das ações, o negócio será administrado por uma corretora de valores e não será transformado em dinheiro rapidamente.

Longo prazo

O economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, diz que apesar dos detalhes sobre a operação de venda das ações do Banco do Brasil ainda não serem conhecidos, existem indicativos de que seria um formato vantajoso quando comparado com o rendimento do FGTS.

“Se o desconto oferecido para a compra for na faixa dos 5% - o mesmo das ações da Vale do Rio Doce -, o retorno para o investidor deverá ser maior que o do FGTS. Desde que as ações da Vale foram colocadas à venda, os rendimentos já estão acima de 20%, contra um ganho de no máximo 5% para quem deixa o dinheiro na conta do FGTS. Mas não se pode esquecer que as bolsas de valores estão passando por fortes oscilações, por isso, o horizonte mínimo para esse mercado é em torno de 12 meses”, afirma Cafeo.

O economista acrescenta que, em mercado de ações, não se pode pensar em resultados antes de um ano. “O trabalhador não pode esquecer que se trata de um investimento a longo prazo”, lembra o delegado do Corecon.

O Banco do Brasil realizará a venda em oferta pública, numa operação de pulverização, de ações excedentes do controle de 51% de participação acionária da União. A aquisição poderá ser feita pelos trabalhadores durante os meses de setembro e outubro.

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