O aumento de crianças pedindo dinheiro nas ruas de Bauru, como a edição de ontem do JC mostrou ocorrer na avenida Getúlio Vargas, é visível, mas muitas delas e suas famílias não aceitam participar de projetos sociais. A análise é de Renata Rodrigues Mendes Gonçalves, coordenadora do Projeto S.O.S. Bombeiros, desenvolvido pela Casa da Esperança, entidade que fica no Núcleo Fortunato Rocha Lima.
Ela explica que o bairro conta com duas entidades - a Casa da Esperança e o Projeto Girassol - mais creches e escolas, mas muitas crianças não freqüentam nenhuma das atividades porque simplesmente não querem ou suas famílias não permitem. “Falta interesse dos pais e das crianças em deixar a situação de pobreza e a mendicânciaâ€, diz.
Ela conta que, em muitos casos, é difícil convencer os pais a enviar as crianças para a entidade. “Já cheguei a ir à casa de famílias com crianças problemáticas e convidar todos para os projetos da Casa da Esperança. Muitas vezes, porém, não temos retorno porque os pais ou as crianças não querem participarâ€, afirma.
Em alguns casos, de acordo com Renata, a criança quer participar do projeto, mas os pais não permitem. “Já recebi criança chorando para integrar o projeto, mas os pais não deixaram. Preferem que os filhos fiquem nas ruas pedindo dinheiro. E o contrário, dos pais obrigarem a criança a integrar o projeto, mas ela não aceitar, também ocorreâ€, afirma.
Uma voluntária da Casa da Esperança, que prefere não ter seu nome divulgado, conta que já tentou inserir as meninas que pedem dinheiro na Getúlio Vargas nos programas da entidade. “Eu já conversei com elas sobre os projetos da Casa da Esperança quando me abordaram ao sair do mercado. Mas elas não deram a menor bola para o que eu disse, reclamaram da bolacha que eu dei a elas e ainda saíram me satirizandoâ€, conta.
A Casa da Esperança desenvolve o S.O.S. Bombeiros para faixa etária de 10 a 15 anos e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET), para a faixa etária de 7 a 15 anos. Ambos os programas oferecem atividades educacionais, culturais, esportivas e de lazer. A única exigência é que a criança ou adolescente esteja freqüentando a escola, explica Renata.
Apesar dos dois projetos e do número de atendidos poder ser ampliado, muitas crianças e adolescentes do bairro ficam nas ruas, sem fazer nada. Para os pais, a entidade oferece cursos de geração de renda em várias áreas. “Oferecemos os cursos porque queremos que os pais saiam da situação de pobreza que se encontram. Mas nem sempre percebemos essa preocupaçãoâ€, completa Renata.