Economia & Negócios

IBGE pesquisará hábitos de consumo da população

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou, no último dia 9, um levantamento inédito que envolverá 60 mil residências em todo o País. Trata-se da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que estudará os hábitos de consumo nos domicílios brasileiros. Pela primeira vez o estudo abrangerá as áreas urbana e rural de todas as unidades da Federação, já que a última versão, de 1996, foi restrita às principais regiões metropolitanas do Brasil.

Na região de Bauru, os pesquisadores do instituto visitarão Botucatu, Marília, Jaú, Garça, Pratânia e Torrinha. Apesar de Bauru fazer parte do espaço amostral da pesquisa, não será abrangida pela análise. Nessas cidades da região, o levantamento de dados será realizado entre janeiro e março de 2003. Segundo a coordenadora estadual de pesquisas do IBGE, Regina Puzi, Bauru não foi incluída porque o critério de seleção dos municípios se baseou no grau de escolaridade dos chefes dos domicílios.

“Na verdade, o critério de seleção é aleatório. Houve apenas uma divisão por setores e foram analisadas as características dos municípios incluídos nesses setores. Para obter resultados homogêneos, alguns locais tiveram que ser extremamente selecionados em termos de escolaridade dos chefes de domicílio. Com isso, Bauru acabou ficando de fora, dessa vez”, explica a coordenadora estadual do IBGE.

O objetivo da POF é descobrir como, em quê e quanto dinheiro é gasto pelas famílias e identificar, também, a origem dos seus rendimentos, possibilitando classificar os gastos de acordo com as faixas de renda. Ao todo, 1.000 agentes de pesquisa do IBGE participarão do projeto. Eles permanecerão em campo durante 12 meses, de modo a identificar os diferentes gastos que ocorrem em determinadas épocas do ano, como inverno, verão, férias, Natal, Carnaval, época de atividades escolares etc.

De acordo com dados fornecidos pela coordenação estadual do IBGE, em Botucatu serão pesquisados 23 domicílios; em Garça, 16; em Pratânia, 62, sendo 30 na área urbana e 32 na rural, e outros 62 em Torrinha, nessa mesma proporção. Não foi informado o número de domicílios que serão visitados em Jaú e Marília, nem a quantidade de habitantes envolvidos no levantamento entre as seis cidades da região de Bauru. A média com que o IBGE trabalha é de 3,8 habitantes por residência.

Detalhes

De acordo com a assessoria de imprensa do IBGE, ao longo de um ano inteiro serão investigados desde os gastos com alimentação, higiene e transportes, até despesas com passeios, viagens, impostos, consertos e manutenção, casamentos e outras cerimônias familiares ou religiosas, serviços de cartório, dízimos, brinquedos, jogos, fitas, recreação e cultura, perfumes etc. Entre os gastos com alimentação, a pesquisa deve identificar as despesas com cereais, frutas, óleos, farinhas, alimentos preparados e até entradas e conservas.

Dentro de cada um desses itens, a pesquisa se aprofundará em detalhes como quais as frutas consumidas, que tipo de leite (se é pasteurizado, integral ou em pó), o tipo de carnes ou de legumes consumidos pela família. Gastos com decoração (tapetes, enfeites), com bijuterias, jóias, jornais e equipamentos de lazer, também serão contabilizados na ponta do lápis. No caso dos medicamentos, será levantado qual o consumo de analgésicos, antiinflamatórios etc.

Entre os bens duráveis, serão identificados desde antena parabólica, bicicleta, máquina de costura e de lavar, até ventilador, ozonizador, rádios de mesa e portáteis. Para isso, o pesquisador do IBGE deverá visitar durante nove dias cada um dos domicílios selecionados. Munidos de trena e balança, os agentes do instituto vão medir e pesar todas as pessoas da casa.

“Para que a pesquisa seja um retrato fiel do consumo no Brasil, é preciso que a população colabore, recebendo em suas casas os agentes de pesquisa do IBGE e fornecendo a eles todas as informações. Por mais paciência que isso exija, todos devem estar conscientes da importância do seu relato pessoal, pois da fidelidade das informações dependerá a qualidade dos estudos que a pesquisa proporciona”, ressalta Regina Puzi.

Zona rural

Entre as inovações da POF 2002/2003 está a abrangência maior, que vai investigar o consumo na zona rural. Segundo a assessoria de imprensa do instituto, serão pesquisadas as formas especiais e não monetárias de aquisição de bens, como a troca, doação ou a produção para consumo próprio.

Outra novidade apontada pelo IBGE é a inclusão de perguntas visando captar a opinião dos entrevistados sobre sua condição de vida: o que acham de sua renda, alimentação e suas condições de moradia. É a primeira vez que perguntas subjetivas são incluídas em uma pesquisa do IBGE.

Inicialmente criada para atualizar as pesquisas sobre inflação, como INPC e IPCA, a Pesquisa de Orçamentos Familiares, em sua versão atual, poderá permitir estudos sobre nutrição, pobreza e condição de vida das famílias. Em função dos inúmeros estudos que podem ser feitos a partir da POF, várias parcerias estão sendo firmadas com institutos de pesquisa dos Estados e com o Ministério da Saúde, segundo informa a assessria de imprensa.

Comentários

Comentários