Pesca & Lazer

História de pescador - Peixe grande


| Tempo de leitura: 3 min

Ao ler a história de pescador contada por Antonio Lázaro Duarte, na edição de 27 de junho, no caderno de Turismo do JC, lembrei-me das minhas pescarias nas décadas de 40 e 50. Como o Antonio, eu também só pescava peixes pequenos, até mesmo participando de campeonatos, como prova a foto, onde apareço de short ao lado do juiz exibindo os dois exemplares por mim pescados num evento realizado em 1951 na cidade de Penápolis.

No ano de 1953, durante as minhas férias, fiz uma viagem até Rio Verde de Mato Grosso, na casa de um amigo que me levou para Coxim, onde fiquei hospedado na residência de um irmão dele, proprietário de uma loja naquela cidade. No mesmo dia, fui apresentado a um proprietário de barcos de pesca e já combinamos uma pescaria no rio Taquari para o dia seguinte, sendo que numa só rodada eu fisguei dezenas de pacus e de piraputangas que eu julguei ser dourados, devido à semelhança pela cor amarelada das mesmas.

Naquela oportunidade, comentei com o canoeiro que o meu sonho era pescar grandes peixes. Ao retornar daquela pescaria, o canoeiro me ofereceu os seus serviços, já que me encontrava em férias, e um pacote de pesca de dez dias me foi sugerido por ele. No dia seguinte, ao amanhecer, partimos pelo rio Taquari num percurso, segundo o canoeiro, de 18 léguas de distância e onde chegamos num local com alguns ranchos e umas três ou quatro famílias.

Após a apresentação aos pirangueiros, o canoeiro regressou para Coxim dizendo voltar para me buscar no final do pacote de dez dias, conforme foi combinado e acertado. Naquela tarde fiz amizade com todos os pirangueiros e, inclusive, com os seus familiares, já sendo convidado a participar de um ritual presidido por uma senhora muito simpática e que me ensinou uma linda oração para que eu fosse bem sucedido naquele local e pudesse fisgar muitos peixes grandes, como era o meu desejo. Naquela mesma noite, antes de dormir, peguei uma vara de anzol e, próximo ao rancho onde estava hospedado, comecei a pescar. Logo enchi uma grande bacia de bagres e fui logo mostrando a eles que, aos risos, comentaram que o paulista pescador se contenta com miuçalhas. No dia seguinte, eu e dois pirangueiros fomos até o local onde eles diziam estar os cardumes de pintados e já começamos a pesca.

Antes de iniciar, eu fiz a oração ensinada lá no rancho e já fisguei um pintado de 17 quilos, aproximadamente. Todos os pintados fisgados por nós três eram amarrados com uma corda nas laterais da canoa. No nosso regresso, todos eles eram colocados num enorme chiqueiro feito de pau-a-pique dentro do rio, nas proximidades dos ranchos.

Passados três dias, surgiu no local uma lancha de um frigorífico de pescados existente em Coxim, efetuando a compra dos peixes existentes no chiqueiro e que pesou 650 quilos.

Durante o tempo que permaneci pescando naquele local, a lancha passou três vezes para comprar os nossos enormes peixes e sempre com peso superior a 500 quilos.

Hoje, passados muitos anos, continuo fazendo aquela oração que aprendi lá nos ranchos do rio Taquari e sigo minha vida ainda só pegando peixes grandes, como pode provar a Sra. Lúcia Regina, Alex e Renata, que trabalham num estabelecimento comercial de Bauru, localizado à rua Virgílio Malta, 13-79, Altos da Cidade.

A oração que me foi ensinada por aquela senhora naquele ritual na barranca do rio Taquari, em Mato Grosso, distante de Coxim 18 léguas é a seguinte:

“Oh! Senhor meu Deus! Conceda-me a graça de pegar só peixes grandes. Livrai-me, assim, da mentira.”

Dorival Nogueira, 71 anos, é contador de histórias.

Comentários

Comentários