Números divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru indicam aumento de 10,8% no índice de inadimplência na cidade na primeira quinzena de julho, em relação ao mesmo período de 2001. O índice, no entanto, é pequeno se comparado ao aumento do calote na cidade de São Paulo também nos primeiros 15 dias de julho: 49%.
Normalmente, os dois índices costumam se equiparar, demonstrando que a variação da inadimplência na Capital e em Bauru segue tendência parecida - para mais ou para menos.
Na primeira quinzena de julho deste ano, foram registradas 1.497 negativações no SPC local, contra 1.350 no mesmo período de 2001. Se comparado com os primeiros quinze dias de junho deste ano, no entanto, há uma queda de 23,4% no índice de inadimplência.
Quanto às consultas ao SPC, a variação é mínima entre a primeira quinzena de julho de 2002 e a do ano passado: 1,52% a mais. Foram 18.379 consultas de lojistas no período verificado neste ano, contra 18.103 em 2001.
Em contrapartida, as consultas dos primeiros dias de julho deste ano são bem menores que as registradas no mesmo período do último mês, quando o número foi de 20.110, o que equivale à queda de 8,6%. A explicação para essa diminuição seria o Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho, que é considerado o “segundo Natal†do comércio.
Discrepância
Para o diretor do SPC local, Sérgio Evandro Motta, a grande diferença do aumento da inadimplência na comparação entre os índices de São Paulo e Bauru pode ser explicada, entre outros fatores, pela maneira como os grandes magazines e lojas de departamentos fazem suas inclusões. Apenas as consultas são feitas por Bauru.
Segundo Motta, essas lojas registram seus inadimplentes no SPC de São Paulo, onde geralmente está localizada a sede administrativa das empresas. “São grandes redes que negativam via São Paulo. Por isso, aqui em Bauru nós ficamos sem essa medidaâ€, aponta.
Na opinião de Motta, a prática do crediário em São Paulo tem algumas particularidades, que o diferencia do que é feito no Interior. “Em São Paulo, o crediário é específico para compras a longo prazo, praticamente todas de eletrodomésticos. Dificilmente se compra vestuário, por exemplo, com crediárioâ€, expõe.
Outra questão, de acordo com Motta, seria o perfil do comprador no crediário. Em São Paulo, ele seria praticado, principalmente, pela classe baixa. Em Bauru, a característica é diferente. “Aqui, a classe média compra bem no crediário. É um hábito mais comum no Interiorâ€, revela o diretor do SPC.
Fatores
Para o economista Said Yusuf Abu Lawi, o problema principal para o crescimento da inadimplência é macroecômico. Ele declara que, apesar do salário mínimo ter aumentado mais que a inflação durante os oito anos de Plano Real, a elevação maciça de itens como energia elétrica e gás de cozinha “engoliu†a diferença para mais.
“Para o assalariado mínimo, algumas coisas pesam mais, principalmente as chamadas tarifas públicasâ€, observa.
Como o maior usuário do crediário de grandes redes é a classe baixa, o aumento da inadimplência é bastante compreensível. “O grosso do crediário é feito nos grandes magazinesâ€, diz Lawi.
Na opinião do economista, outro fator que poderia explicar em parte o aumento de registros no SPC em julho seria a época de rematrícula em escolas e faculdades particulares.
“Normalmente, quando as pessoas têm problemas financeiros acabam atrasando o pagamento das mensalidades da escola. Quando chega o meio do ano, hora de fazer o acerto para poder se rematricular no próximo semestre, as pessoas deixam de pagar outras contasâ€, relata Lawi.
O economista explica que as escolas não costumam incluir seus devedores para o SPC no meio do semestre, enquanto os crediários podem fazê-lo em qualquer época do ano, basta verificar uma prestação atrasada.