Saúde

Transformações da adolescência

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O período de transição entre a infância e a vida adulta é considerado pelos estudiosos como uma das fases mais difíceis de ser enfrentada durante a existência humana. Homens e mulheres passam a vida toda aprendendo e evoluindo, mas é na chamada adolescência que esse processo ocorre de maneira mais perceptível.

De repente, o mundo toma nova forma, o corpo muda, os pensamentos mudam, as vontades mudam. São conflitos naturais que precisam ser e enfrentados com equilíbrio, diálogo e limites.

A ordem dos pais tem que vir acompanhada de uma justificativa convincente. Eles desenvolvem capacidade de pensar e decidir por si e passam a questionar o mundo. Nesta época “Faça porque estou mandando” não é suficiente. Eles batem o pé, enfrentam e desobedecem em prol daquilo em que acreditam.

Segundo os especialistas, o que muitos pais chamam de rebeldia e desobediência é um processo natural e saudável de aprendizado. Mas eles estão aprendendo e precisam de apoio intensivo da família.

Só que, ao invés de reprimir, proibir e dizer “não”, cabe aos pais buscar o diálogo, deixar que eles contem o que estão passando e refletir, junto com eles, em busca dos melhores caminhos a seguir. Quando as idéias forem divergentes, pais e filhos devem expor suas opiniões e argumentar, no intuito de chegarem a um ponto comum e benéfico.

Para a pediatra Maria Luiza Cury, os problemas da adolescência têm que ser evitados na infância. Ela defende que os chamados “aborrecentes” são conseqüência de questões mal resolvidas em anos anteriores. A criança adapta-se a uma situação conflituosa, mas passa a cobrar a família na adolescência, quando começa a raciocinar a vida.

“A separação dos pais, por exemplo, é um problema. Naquele momento, a criança fica triste, chora, fica doente, mas passa. Só que se isso não foi muito bem conversado e explicado, se restou algum conflito, ele vai explodir na adolescência e vem em forma de revolta”, exemplifica.

Poder de avaliação

O psiquiatra Içami Tiba, especialista em adolescentes, esclarece que é na adolescência que o ser humano desenvolve a capacidade de pensamento abstrato. A criança passa a fazer coisas que não fazia antes, como contestar, raciocinar diferente, ter idéias diferentes.

“Os pais querem que eles funcionem como crianças, quando já não mais são. Não por simples desobediência, mas por uma complexidade de pensamentos que eles não tinham antes. ‘Estou mandando’ não funciona nesta fase, porque os hormônios dão ao adolescente uma grande força, ele já não se sujeita mais a simplesmente ficar obedecendo”, observa.

Na prática, a adolescência é a época em que a criança dá seu grito de liberdade em busca da independência adulta. Mas é um período de transição, repleto de curiosidades, medos e dúvidas. Questões como a sexualidade, que precisam ser encaradas de frente pela família para que as descobertas ocorram num ambiente saudável, equilibrado e eficaz.

O futuro é algo que apavora esses meninos e meninas. Os pais também ficam assustados com as mudanças e com a rapidez com que as coisas acontecem em comparação à sua geração. Algumas vezes, eles também não sabem lidar com os conflitos. Neste caso, é preciso humildade para reconhecer que existem deficiências e dificuldades, e convidar o adolescente a buscarem juntos as respostas e soluções.

“Tudo isso faz parte da educação, que é uma das coisas mais difíceis que a gente tem na vida. Porque trata-se de um ser que tem sua própria personalidade, seu próprio caráter e você (pai e mãe) tem que agir na vida dele para torná-lo uma pessoa boa para com ele mesmo e para com a sociedade. Isso é muito difícil e ninguém sabe a receita certa, até onde ir, onde parar, quando intervir”, completga Cury, salientando a importância deste eterno aprendizado.

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