Na opinião dos médicos, muitos pais estão sendo omissos e outros atuam muito mal no desenvolvimento do adolescente no que diz respeito à descoberta da sexualidade.
“Às vezes, os pais ficam falando sobre menstruação quando a menina já está preocupada em como chegar ao orgasmo. Então, ou os pais aprendem primeiro para saber que ponto devem abordar ou é melhor nem abrirem a boca. Porque senão os filhos (filhas, principalmente) vão pensar ‘Lá vem aquele cara que pensa que a gente ainda está segurando na mão’. Eles acabam caindo no descrédito, o que é muito ruimâ€, ressalta o psiquiatra Içami Tiba.
Tiba defende que preparar os filhos para a vida exige participação e conversa efetivas, mas sem querer “dar aulasâ€, nem usar discursos como “Eu sei tudo, você não sabe nadaâ€.
“Primeiro, os pais têm que deixar o adolescente falar, contar o que acontece, para depois ele abrir as orelhas para ouvir e dialogar. O adolescente que é mantido de boca fechada costuma também tapar as orelhasâ€, alerta Tiba.
O médico destaca que os pais precisam admitir que não é porque os jovens pensam diferente que eles estão errados. A cabeça dos pais pode sustentar falsos e prejudiciais moralismos. “Como aquele pai que não deixa a filha sair porque acha que os outros vão fazer com ela o que ele faz (ou fez) na rua. Ou aquele que não deixa a menina sair, mas diz que o menino podeâ€, completa.
O urologista Aguinaldo Nardi destaca que o início da vida sexual pode acontecer a qualquer momento e vai acontecer independentemente da vontade ou não dos pais. “Proibir não resolve. É ineficaz, porque eles dão um jeito. E torna-se prejudicial ao desenvolvimento natural. Então, é muito melhor que aconteça sob orientação adequadaâ€, aconselha.
Além de insistir no ambiente carinhoso, onde os pais mostram como vivem enquanto marido e mulher, Nardi recomenda a orientação sexual propriamente dita.
“O jovem hoje tem inúmeras fontes sobre o assunto, principalmente na Internet. Mas a rede é uma vitrine onde aparece de tudo. O adolescente pode não ter habilidade suficiente para saber o que é bom ou ruim. Então, os pais não devem fechar os olhos ou simplesmente alijar esta questão do seio familiarâ€, reitera.
Ele insiste que informações desencontradas obtidas fora de casa devem ser solucionadas em família. “Por isso, eu acho que a única forma de melhorar esse processo é mexer na estrutura familiarâ€, conclui.