Saúde

Omissão dos pais é contestada

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Na opinião dos médicos, muitos pais estão sendo omissos e outros atuam muito mal no desenvolvimento do adolescente no que diz respeito à descoberta da sexualidade.

“Às vezes, os pais ficam falando sobre menstruação quando a menina já está preocupada em como chegar ao orgasmo. Então, ou os pais aprendem primeiro para saber que ponto devem abordar ou é melhor nem abrirem a boca. Porque senão os filhos (filhas, principalmente) vão pensar ‘Lá vem aquele cara que pensa que a gente ainda está segurando na mão’. Eles acabam caindo no descrédito, o que é muito ruim”, ressalta o psiquiatra Içami Tiba.

Tiba defende que preparar os filhos para a vida exige participação e conversa efetivas, mas sem querer “dar aulas”, nem usar discursos como “Eu sei tudo, você não sabe nada”.

“Primeiro, os pais têm que deixar o adolescente falar, contar o que acontece, para depois ele abrir as orelhas para ouvir e dialogar. O adolescente que é mantido de boca fechada costuma também tapar as orelhas”, alerta Tiba.

O médico destaca que os pais precisam admitir que não é porque os jovens pensam diferente que eles estão errados. A cabeça dos pais pode sustentar falsos e prejudiciais moralismos. “Como aquele pai que não deixa a filha sair porque acha que os outros vão fazer com ela o que ele faz (ou fez) na rua. Ou aquele que não deixa a menina sair, mas diz que o menino pode”, completa.

O urologista Aguinaldo Nardi destaca que o início da vida sexual pode acontecer a qualquer momento e vai acontecer independentemente da vontade ou não dos pais. “Proibir não resolve. É ineficaz, porque eles dão um jeito. E torna-se prejudicial ao desenvolvimento natural. Então, é muito melhor que aconteça sob orientação adequada”, aconselha.

Além de insistir no ambiente carinhoso, onde os pais mostram como vivem enquanto marido e mulher, Nardi recomenda a orientação sexual propriamente dita.

“O jovem hoje tem inúmeras fontes sobre o assunto, principalmente na Internet. Mas a rede é uma vitrine onde aparece de tudo. O adolescente pode não ter habilidade suficiente para saber o que é bom ou ruim. Então, os pais não devem fechar os olhos ou simplesmente alijar esta questão do seio familiar”, reitera.

Ele insiste que informações desencontradas obtidas fora de casa devem ser solucionadas em família. “Por isso, eu acho que a única forma de melhorar esse processo é mexer na estrutura familiar”, conclui.

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