Jaú - A possível retomada do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) é comemorada também pelos sindicatos rurais da região. As entidades vêem no programa a perspectiva de criação de novos postos de trabalho, reduzidos nos últimos anos com a mecanização da colheita.
Para Hermínio Stefanin, 72 anos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jaú, a medida chega em boa hora. Segundo ele, o aumento da migração de trabalhadores rurais de outros Estados para São Paulo, tem acirrado cada vez mais a disputa por um emprego durante a safra.
Na opinião do presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Região de Jaú (Associcana), Francisco Paulo Brandão, 70 anos, a retomada do Proálcool deve contribuir para o desenvolvimento do setor canavieiro e ainda gerar milhares de novos empregos. “Nossa economia gira em torno da lavoura da cana-de-açúcarâ€, afirmou ele, referindo-se ao potencial que o Estado de São Paulo possui na produção de cana.
O Sindicato Rural de Jaú representa hoje cerca de seis mil trabalhadores. Todos, segundo Stefanin, estão empregados nas usinas e destilarias da região. Mesmo com 100% da mão-de-obra empregada, o presidente mostra-se preocupado com a concorrência de trabalhadores “de foraâ€.
Segundo ele, Maranhão, Minas Gerais, Bahia e Paraná são os Estados que mais “exportam†mão-de-obra para as lavouras da região.
Com a reativação do Proálcool, Stefanin acredita que outras usinas, principalmente as do Nordeste, possam absorver essa mão-de-obra excedente.
Na semana passada, mais de 100 trabalhadores rurais nordestinos foram embora de Jaú. Segundo Stefanin, eles não suportaram o frio e decidiram voltar para os Estados de origem.
De acordo com dados da Associcana, as usinas e destilarias de Jaú, Barra Bonita, Bocaina, Bariri, Dois Córregos e Brotas são responsáveis pelo emprego de aproximadamente 60 mil pessoas, durante os seis meses de safra.
Juntas, as empresas produziram no ano passado cerca de 250 milhões de litros de álcool anidro (combustível), 330 milhões de litros de álcool hidratado e 15 milhões de sacas de 50 quilos de açúcar.
Nas contas do presidente da Associcana, se for levada em consideração que cada trabalhador empregado na lavoura representa, em média, uma família de quatro membros, o cultivo da cana seria responsável pelo sustento de quase 100 mil pessoas, só na região de Jaú.
Com a produção de cana moída batendo na casa dos 13 milhões de toneladas, Brandão coloca a região de Jaú entre as quatro maiores produtoras de cana do Estado.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lençóis Paulista, Sylvio Rodrigues da Silva, 59 anos, é mais cético quanto aos benefícios do Proálcool.
Embora acredite na criação de novos empregos, Silva pensa que serão poucos. Na opinião dele, a mecanização do serviço eliminou e continua eliminando muitos postos de trabalho.
Segundo ele, os maiores beneficiados com a reedição do Proálcool serão os empresários, tanto do setor canavieiro como do automobilístico.
Lençóis Paulista tem hoje cerca de 500 cortadores de cana. Há alguns anos, esse número girava em torno de 5 mil, segundo informou Silva.