Desde que parte da colheita da cana-de-açúcar passou a ser feita com auxílio de máquinas, milhares de trabalhadores perderam seus empregos. Sindicatos da região exibem números que comprovam a queda dos postos de serviços.
Em Lençóis Paulista, cerca de 4,5 mil cortadores de cana perderam o emprego nos últimos anos. Em Jaú, o impacto foi parecido. Segundo o sindicato, cerca de 4 mil trabalhadores foram demitido desde o início da mecanização do setor.
De acordo com a previsão do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lençóis Paulista, Sylvio Rodrigues da Silva, 59 anos, dentro de três ou quatro anos toda a colheita estará mecanizada.
Na opinião do presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Região de Jaú (Associcana), Francisco Paulo Brandão, essa realidade deve demorar um pouco mais - cerca de 15 anos.
“Além de não se adaptar em qualquer terreno, a mecanização da colheita da cana é considerada pouco atrativa pelos produtores, por causa dos altos custosâ€, informou Brandão.
Segundo ele, cada colheitadeira custa, em média, R$ 350 mil. Esse valor, na opinião do presidente, seria um dos principais empecilhos à mecanização da colheita.
Na opinião de Brandão, somente os grandes produtores são capazes de adquirir um equipamento tão caro. â€œÉ um investimento muito alto, para comprar uma máquina que ficará dez meses paradaâ€, analisou ele, fazendo referência à entresafra.
Outro entrave seria de caráter topográfico. Em terrenos com mais de 12% de inclinação não é possível mecanizar a colheita. No entanto, Brandão informou que em algumas regiões do Estado cerca da metade da colheita já está mecanizada.
O serviço realizado pela máquina equivale ao trabalho feito por noventa trabalhadores rurais, de acordo com as contas do presidente da Associcana.
Segundo o presidente do sindicato de Lençóis, muitos produtores deixaram de plantar cana em terreno acidentado. A preferência agora seria para terrenos planos, onde a mecanização é possível.