Um recém-nascido foi achado abandonado anteontem à noite, no estacionamento do Sindicato dos Ferroviários, que fica na quadra 7, da rua Antônio Alves, em Bauru. A criança foi encaminhada à Maternidade Santa Isabel, onde está internada, aguardando decisão da Vara da Infância e da Juventude sobre seu futuro.
O bebê é do sexo masculino e teria somente quatro dias de vida. A Polícia Civil vai instaurar inquérito para apurar quem abandonou a criança - se foi ou não a mãe - e em quais circunstâncias.
Sem autorização judicial, funcionários da maternidade não quiseram dar detalhes sobre a criança. A única informação obtida pelo JC foi a de que o bebê não apresenta problemas de saúde e está sendo alimentado com leite materno do banco de leite da maternidade.
O bebê foi encontrado pela copeira Rosângela Aparecida Ermacora, 27 anos, e pelo auxiliar de produção Carlos Henrique Pires, 25 anos. No momento em que chegavam para trabalhar, por volta das 19h de sábado, eles notaram que havia uma criança enrolada em um cobertor, no estacionamento do sindicato.
Segundo eles, a criança estava entre a roda de um veículo e a mureta de um jardim. Os dois acionaram a Polícia Militar, que recolheu e encaminhou a criança à Maternidade Santa Isabel, onde foi atendida pela médica Edna Saike. Segundo ela, o menino aparentava boa saúde e não devia ter mais do que quatro dias de vida.
A criança foi abandonada no estacionamento do sindicato em uma noite fria e poderia ter corrido risco de vida se não tivesse sido achada antes da madrugada. A temperatura mínima na madrugada de ontem em Bauru foi de 16,9 graus, de acordo com a medição feita pelo Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet).
Enquanto a Justiça não definir o destino do bebê, ele ficará sob a guarda do Conselho Tutelar. O procedimento agora, segundo a assistente social e presidente do conselho, Darlene Martin Têndolo, 41 anos, é tentar descobrir quem é a mãe. “Só assim será possível saber quais foram os motivos que levaram ao abandono da criançaâ€, frisa.
Na opinião dela, não dá para acreditar que uma mãe, em sã consciência, tenha abandonado o filho recém-nascido. “Precisamos saber o que aconteceu. Se foi uma depressão pós-parto ou outro problema qualquerâ€, comenta.
Mesmo que a mãe seja localizada, a devolução da criança não deve ser automática. A decisão sobre a entrega do bebê para a mãe ou para uma família substituta deverá ser tomada pelo juiz da Infância e da Adolescência, Ubirajara Maintinguer.
O juiz deve ser comunicado hoje, oficialmente, sobre o abandono do bebê. Maintinguer disse à reportagem que só depois de analisar o caso detalhadamente será possível decidir o destino da criança.