Política

Força vai para disputa com CUT e Lula

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 5 min

Ele é filho de trabalhador rural, sindicalista, já tentou ser jogador de futebol profissional e é candidato a vice-presidente da República na chapa de Ciro Gomes (PPS). Paulinho Pereira da Silva (PTB), presidente licenciado da Força Sindical realizou, ontem, em Bauru, o primeiro showmício da Frente Trabalhista no Interior do Estado.

A garoa fina e o frio atrapalharam, mas, ainda assim, cerca de 5 mil pessoas estiveram em frente ao teatro municipal no fim da tarde de ontem. Paulinho vai em busca do apoio de entidades da vertente social democracia sindical, está tendo penetração na Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e parte para a disputa com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) na eleição deste ano. O principal adversário é Lula (PT).

No showmício de ontem, além de Paulinho, falaram candidatos da Frente Trabalhista e Raul Gomes Duarte (PPS), Eliane Fetter (PPS), Dota Jr. (PTB) e Nilson Costa (PPS). Leia os principais pontos da entrevista com Paulinho Pereira:

Jornal da Cidade - Este é o primeiro showmício do Interior do Estado. Qual é a participação da Força Sindical na campanha da frente? Paulinho Pereira da Silva - Como representante do sindicalismo estou falando com os sindicatos e também já avançando, falando com os trabalhadores em geral. Já fizemos alguns showmícios na periferia de São Paulo e também na Grande São Paulo. Este é o primeiro comício do Interior. Vamos fazer algumas cidades para divulgar um pouco o programa do Ciro, a questão do emprego, dos jovens e dos aposentados. Queremos ganhar as eleições.

JC - O senhor fala em conversar com outras frentes. Qual o leque de conversa com outros sindicatos? Paulinho - Estamos atraindo não só a Força Sindical, que tem 1.800 sindicatos e representa cerca de 14 milhões de trabalhadores no Brasil inteiro, mas estamos fazendo assembléia nas fábricas e reuniões com nossos militantes para levar a campanha para as fábricas. Estamos também atraindo boa parte da social democracia sindical e grande parte da CGT também apóia nossa campanha com o Ciro.

JC - Qual a relação entre os partidos políticos e os sindicatos nesta campanha? Paulinho - Nós procuramos diferenciar bem isso. Tanto é que na Força Sindical temos gente de todos os partidos. Nossa preocupação principal é o papel do sindicato e sua atuação. Não levamos muito em conta a questão partidária porque o trabalhador é o foco. Mas com esta campanha e minha candidatura há uma empolgação muito grande dos sindicatos e não só da Força Sindical, com a possibilidade de eleger um vice-presidente do campo dos trabalhadores pela primeira vez na história. Mas sempre fizemos questão de deixar bem claro a relação com o partido político. Uma coisa é o trabalho sindical e outra é a política, embora as conquistas dos trabalhadores também dependam dos partidos. Em minha vida sindical nos últimos anos, pelo menos uma vez por mês tive que estar em Brasília para falar com o ministro, o Congresso e os deputados. Os trabalhadores têm que se engajar nessa vida política.

JC - O senhor vê a CUT associada ao Lula e a Força ao Ciro, com dois setores do sindicalismo disputando esta eleição? Paulinho - Essa disputa acaba polarizando entre a CUT e a Força Sindical neste momento. Não tem jeito, uma dessas forças sindicais estará no poder do País no próximo ano. Mas a CUT sempre esteve associada ao PT e a Força, não. A Força, em todas as eleições anteriores, esteve com nossos dirigentes em campanhas distintas. Pela primeira vez na história temos nossos colegas em uma grande unidade engajados com o Ciro.

JC - O eleitor não confunde essa relação entre sindicato e partido político e a diferença entre esses papéis? Paulinho - Estamos trabalhando com os sindicatos, a militância e agora com os trabalhadores. Estamos trabalhando exatamente para evitar essa confusão que não existe. O grande problema do emprego, do jovem, do aposentado, está na política adotada pelo País. Se não mudarmos a política econômica, com certeza vamos continuar tendo desemprego e problemas sociais. O trabalhador tem que se engajar nesta questão até para que seja possível mudar essa política. Precisamos mudar o País com a política econômica, a reforma tributária, acabar com os privilégios na previdência e instituir um regime com melhores salários. E precisamos criar emprego.

JC - A reforma tributária é necessária, mas toda vez que ela sai do discurso esbarra na divergência. Qual reforma a Frente Trabalhista quer? Paulinho - Nossa reforma fiscal é muito clara. Vamos tirar todos os impostos que estiverem na produção, inclusive a previdência social. Todos os impostos vão passar para o consumo. Ou seja, as pessoas só vão pagar impostos na hora de comprar. Vamos desonerar a produção, as empresas vão crescer e o emprego vai surgir. É isso que os empresários e os trabalhadores querem.

JC - O governo federal nunca arrecadou como hoje. Essa fórmula mantém o nível atual de receita? Paulinho - A arrecadação vai aumentar porque vamos reduzir o número de impostos, vão ficar apenas cinco, e a formalidade vai ser ampliada. Milhões de trabalhadores informais vão ser formalizados e isso implica em aumento de receita. O atual modelo cobra muito de poucos. Milhões de pessoas estão excluídas do sistema. É preciso cobrar menos impostos, mas de mais gente, daqueles que não estão participando da geração de receita porque estão na informalidade. Nossa proposta eleva a receita de impostos de 34% para 36% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas tem que desonerar a produção.

JC - Como ser honesto em uma campanha com a imensa maioria que ganha um salário mínimo prometendo aumentar o salário? Paulinho - Estamos deixando muito claro que não vamos deixar 11,7 milhões de pessoas desempregadas e não vamos deixar 33 milhões de brasileiros passando fome para pagar banqueiro. Banqueiro vai ganhar dinheiro, mas em uma outra condição, não na atual. Existem cinco ou seis bancos que ganham muito e existem milhares de pequenos empresários ou bons empresários, pequenos e médios, que não ganham ou estão falidos. Vamos alongar o prazo da dívida, chamar os credores, deixar claro que vamos pagar, mas nas condições que o País suporta. Não vamos tirar dinheiro de pessoas que estão passando fome. Não vamos aceitar pressão nessa área. É isso que vamos fazer. E com isso vamos baixar os juros. Hoje qualquer empresário põe o dinheiro na aplicação e vai pescar. Ele não põe na produção porque não é doido. Vamos baixar o juro e será preciso trabalhar para ganhar dinheiro. Essa é a regra capitalista.

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