A interferência do homem nas entranhas da natureza está custando um preço muito alto para o ecossistema, uma vez que não só na América Latina como, em pé de igualdade, na maioria das regiões da Ásia e África, as florestas tropicais estão desaparecendo, numa proporção equivalente a 14 hectares de selva por minuto. Impressionante, certo? Em nosso continente, na Amazônia por exemplo, a derrubada de matas é alarmante, estando o governo federal, através do Departamento de Botânica, recorrendo até mesmo ao espírito caritativo das populações regionais para que colabore no resguardo dos matagais tanto quanto possam, a fim de que não venham a morrer impiedosamente as reservas ainda existentes em Paranapiacaba e Mata Atlântica, além das situadas no Amazonas, Pará e Mato Grosso. Apelos veementes estão sendo veiculados pelos poderes públicos nacionais, destacando-se os que vêm ocorrendo através de canais de televisão, nos quais tocam o coração da gente aqueles em que uma voz, parecendo de uma criança, perceptivelmente sentimental, clama a plenos pulmões contra a derrubada indiscriminada de árvores altas e frondosas, que emprestam ao nosso território a beleza e o valor econômico que outras regiões não têm a felicidade de possuir, prenunciando que se continuar a selvageria do desmatamento este não precisará mais que duas décadas para atirar à terra o que está de pé, apagando do cenário, conseqüentemente, aquilo que é o paraíso dos pássaros e pequenos animais. Apenas isso? Não, não mesmo, porquanto, face à profunda alteração que certamente ocorrerá, perderá o homem os elementos vitais necessários à sua sadia sobrevivência como o são a fauna, a flora, o ar, os rios e os mares mansos e bravios, como queiram, todos eles imprescindíveis à existência humana, mediante o amplo equilíbrio ecológico que indubitavelmente produzem.
Não há como negar que o progresso é indispensável em todos os sentidos e terrenos, mas não pode ele eclodir a custo altamente oneroso como o da degradação do meio ambiente e suas consequências na vida humana. Salvem-se, portanto, as florestas nacionais e internacionais! Não se contribua, igualmente, por quaisquer forma, na abertura de alas para os seus indesejados funerais! Não precisemos, jamais, enxugar suas lágrimas com o lenço vermelho da nossa perversidade! É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)