Os proprietários dos veículos apreendidos e que estão na lista de leilão público têm 30 dias para quitar os débitos e evitar a venda de seus bens. São quase 1.100 veículos entre carros, motos, caminhões até ônibus que lotam o Pátio Bauru e podem ir a leilão a partir de 22 de agosto.
A partir dessa data, o leilão poderá se realizado desde que tenham sido concluídas a vistoria e a avaliação individual de cada um dos veículos, explica o delegado Dernival Mauro Inforzato, diretor interino da 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran). A lista dos veículos que podem ir a leilão foi publicada na edição de ontem do JC.
Apesar da notificação pública, a maioria dos veículos não deve ser procurada por seus donos por causa do alto valor da dívida, na opinião de Mário Martins, sócio-proprietário do pátio. “Há veículos velhos e batidos que têm mais de R$ 10 mil de débitos entre multas, serviço de guincho e diárias do pátioâ€, conta.
Um exemplo é um Fusca verde, ano 73, apreendido há mais de um ano e que tem exatos R$ 10.020,20 de débitos. Outro caso semelhante é o de uma Brasília vermelha, ano 74, envolvida em acidente de trânsito, cujo proprietário terá que desembolsar R$ 10.240,03 se quiser retirá-la do pátio.
Inforzato explica que após os 30 dias, a contar a partir de ontem, será publicado um novo edital estipulando a data de visitação pública dos veículos que serão leiloados. Ele orienta os proprietários de veículos que estão na lista do leilão a procurar a Ciretran ou um despachante para verificar os débitos junto ao Departamento de Trânsito (Detran) e avaliar se compensa ou não a quitação do valor.
Já as despesas relativas ao serviço de guincho e estadia dos veículos no pátio devem ser verificadas na própria empresa, que fica no Jardim Jussara. Martins, sócio-proprietário do pátio, anuncia que está oferecendo desconto de até 80% na dívida de estadia para os veículos que estão na lista do leilão.
Ele explica que está oferecendo descontos para facilitar a retirada dos veículos antes do leilão. “Mais de 90% dos carros estão carregados de multa e não serão procurados pelos donos porque o débito é bem superior ao valor do bem. Se não dermos um desconto da dívida da estadia, fica mais difícil ainda serem retiradosâ€, revela.
Martins tem interesse que os veículos sejam retiradas por seus proprietários porque, se forem a leilão, a estadia só será paga após a quitação de outras dívidas. “Além de, em muitos casos o valor apurado com o leilão do veículo ser bem inferior aos débitos, primeiro serão pagas as despesas com leiloeiro e publicação de edital. Depois, se sobrar, paga-se o pátioâ€, afirma.
Martins reclama que não é raro fechar o mês com prejuízo na empresa. “Como depositário fiel, o pátio é obrigado a contratar seguro para todos os veículos e temos seis vigias. Além disso, os veículos que foram roubados e furtados não pagam diáriaâ€, afirma.
O Pátio Bauru foi nomeado pelo Estado como depositário fiel em casos de apreensão policial ou remoção por outro motivo qualquer há 14 anos.
O último leilão de veículos apreendidos em Bauru foi realizado em novembro de 1999. Martins estima que 90% dos veículos que estão na lista do leilão não têm mais condições de rodar. “São veículos que só servem para sucataâ€, afirma.
Vários carros estão há mais de um ano no pátio, de acordo com Martins. “Por isso o pátio está lotado e tivemos que colocar veículos em terrenos ao lado, que são cercados só por alambradosâ€, conta. Para ele, o leilão deveria ser realizado a cada 90 dias.
Um veículo apreendido recolhido ao pátio não é retirado por menos de R$ 100,00 já que o proprietário tem que pagar o guincho, a diária e a vistoria. A taxa de guincho é de R$ 60,00 (durante o dia) e R$ 70,00 (à noite). A diária, para veículos de passeio, é de R$ 11,57, enquanto a taxa de vistoria é de R$ 58,00.