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O cérebro humano


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Já pararam para observar o quão complexo é nosso cérebro? O quão estranho se nos mostra, não é mesmo? Sabemos que ele é o responsável pelo nosso comportamento. Já percebeu como agimos diferentemente? Até parece que há várias pessoas na nossa cabeça. E, de fato, somos compostos de várias “pessoas”. O cérebro humano é dividido em dois hemisférios: o esquerdo é dedicado ao raciocínio lógico e à capacidade verbal e o direito é dedicado aos sentimentos e capacidade intuitiva e visual. Estão fracamente ligados pelo Corpo Caloso. Isso nos torna duas pessoas em uma. Por isso apaixonamo-nos sem razão aparente, justamente porque o hemisfério direito é não-lógico. Veremos uma nova forma de divisão do cérebro: a espacial. O maior pesquisador da área, Paul MacLean, chefe do Laboratório da Evolução e Comportamento do Cérebro, desenvolveu um modelo da evolução e da estrutura do cérebro que ele chamou de tríade cerebral

Na tríade, podem ser diferenciadas três mentalidades, são três cérebros interconectados, cada qual com sua própria inteligência, sua própria subjetividade, seu próprio senso de tempo, espaço, memória etc. Eles são distintos funcional e anatomicamente, até mesmo na distribuição de dopaminas e colinesterases (O que que é isso? É tema para outro artigo). Cada uma das três partes é resultado de um salto evolutivo maior. A parte mais antiga do cérebro humano é chamada Complexo Réptil e que contém toda a rede neuronial necessária para desempenhar atividades para a reprodução e auto-preservação, o que inclui a regulação do coração, da circulação sangüínea e da respiração. Assim, os répteis e também os mamíferos têm essa parte do cérebro. Provavelmente, este primeiro cérebro surgiu há muitas centenas de milhões de anos.

É no Complexo Réptil onde se localizam as características agressivas e sexuais, territoriedade, o rito e a hierarquia social. Quem diria, a fé religiosa nasce em nossa parte mais irracional. Eu também já havia percebido que quanto menos inteligente mais se quer impor sua “autoridade” ou respeito, ser chamado de doutor, etc. A próxima parte, envolvendo o Complexo Réptil, é o Sistema Límbico. Esse sistema não é encontrado completo nos répteis, mas se faz presente nos mamíferos. Provavelmente, desenvolveu-se há mais 150 milhões de anos. Aqui nascem as emoções vívidas como a alegria, o medo e a raiva. Finalmente, cobrindo o resto do cérebro, temos o Córtex, a parte mais evoluída. Somente os mamíferos mais evoluídos têm um Córtex relativamente massivo, como os primatas, golfinhos e baleias. A evolução do Córtex é estimada em algumas dezenas de milhões de anos, mas o seu desenvolvimento acelerou há poucos milhões de anos, quando os seres humanos emergiram. É aqui que se desenvolveu a inteligência e o sentimento, localizados nos hemisférios esquerdo e direito.

Esse conceito anatômico de cérebro tríade está incrivelmente de acordo com as divisões psíquicas propostas por Sigmund Freud: id, ego e superego. Ou ainda como inconsciente, pré-consciente e consciente. Mas Freud não foi o único, 2.400 anos atrás, Platão, no dialogo “Fédro”, retrata Sócrates explicando a alma humana como uma carruagem composta de dois cavalos selvagens e um cocheiro. Os cavalos estão associados ao Complexo Réptil e ao Sistema Límbico e o cocheiro ao Córtex. Incrível não? Porém, não devemos considerar as parte do cérebro como independentes, mas como interdependente, ao mesmo tempo que age separadamente, age também como uma unidade.

Se no Córtex podemos imaginar como duas entidades em uma, vemos que o nosso “eu” na verdade são três em um. Complicado, não? Porém, se quisermos explorar nossa inteligência (lógica ou emocional), devemos conhecer essa obra divina onde reside nossa consciência, onde surge a noção que se penso, logo existo. (Mário Eugênio Saturno é Pesquisador Tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Catanduva, Coordenador das Congregações Marianas - email:saturno@dea.inpe.br)

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