Sem taça, nem medalha, mas com o sorriso característicos nos lábios, o lateral esquerdo da seleção brasileira de futebol Roberto Carlos, que nasceu em Garça no dia 10 de março de 1973, voltou à cidade para ser homenageado pela população e receber, como pentacampeão, o título de Cidadão Garcense.
O atraso de mais de três horas, justificado pela neblina, não foi suficiente para dispersar a multidão que esperava o jogador no estádio municipal. Muito menos fazer com que o pouco policiamento presente no local conseguisse conter o público que invadiu o gramado na busca de um autógrafo ou foto do ídolo, que não pôde cumprir o protocolo e desfilar no carro de bombeiros a postos. Nem os pais de Roberto Carlos, seu Oscar e dona Vera, que vieram de Cordeirópolis ao encontro do filho, conseguiram se aproximar logo que o craque saltou de seu helicóptero particular.
Somente dentro da prefeitura, é que a mãe de Roberto Carlos conseguiu beijá-lo. As três irmãs, também demoraram a abraçá-lo, precisaram da intervenção de uma assessora do jogador. Em frente ao prédio, outra multidão também o aguardava.
“Se a gente quiser encontrá-lo, tem que fugir para Araras, nas duas vezes que ele vem para cá durante o ano, em julho e no Natalâ€, diz a irmã mais velha Sílvia.
Na espera, o torcedor Vitor Braga Berti, de 7 anos, afirmava que valia a pena esperar o craque por horas, mas confessou sua paixão por Ronaldinho, o Fenômeno, quem considera o melhor jogador.
Surpresa
“Eu esperava uma boa recepção, mas não uma acolhida tão grande assimâ€, dispara comovido. Em frente à multidão, Roberto Carlos agradeceu e disse que sempre faz questão de citar o nome de Garça por onde passa. Mas se mostrou surpreso com o tamanho da cidade. Ele se desculpou por não ter trazido a medalha, mas se comprometeu a voltar a cada título conquistado.
Das principais recordações de menino, Roberto Carlos confessa “vinha sempre brincar com meus primos e passear com meu pai no centro da cidade, que mudou demais e estou muito feliz por isso. Mas aprendi a jogar bola no pasto da fazenda São Joséâ€.
O jogador foi homenageado com uma coreografia feita pelo alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e prometeu firmar uma parceria para ajudar a entidade.
Orgulho
Oscar da Silva, pai de Roberto Carlos, “sumido†da Bahia para trabalhar nas lavouras paulistas de café, não consegue esconder o orgulho e a felicidade que o filho lhe proporcionou e já sonha em voltar a Garça daqui a quatro anos para comemorar o hexacampeonato.
“A bola sempre foi o brinquedo dele, seu lazer e tudo o que passa na vida dele tem a ver com o futebol. O Roberto era uma criança que nasceu com o dom do futebolâ€, conta seu Oscar mostrando uma foto de quando jogava no time amador de Garça e o filho era o mascote da equipe e roubava a bola para brincar nos intervalos.
Também das mais otimistas, a mãe Vera só reclama do pouco tempo que teve com o filho. “Ele passou um dia em casa e outro na casa da vó dele, depois tentou ficar uns dias em sua chácara em Araras.â€
Ela conta que para torcer pelo filho durante a Copa, assistiu ao jogos somente com o marido e as duas filhas caçulas. “A gente se concentra melhor... Mas quando vence, a gente sai para a rua e comemora o dia inteiro. É muito gratificante para a gente.â€
Dona Vera revela que o orgulho de ter um filho considerado oficialmente um dos melhores do mundo e o oitavo no ranking da Fifa de 2002 já deu espaço ao medo. “Eu o incentivava porque era o sonho dele, mas tinha muito receio porque ele era muito novinho. A gente nunca proibiu e hoje ele nos recompensou.â€
Ela conta envaidecida que mesmo na Espanha, onde já esteve duas vezes, o assédio é o mesmo. “Ele não tem sossego.†Mas não acredita que foi o filho quem fez um gol em curva contra a França, num amistoso em 1997.
Homenagem
A entrega do título de Cidadão Garcense vem sendo negociada desde janeiro deste ano, quando o vereador Cateto e o prefeito Faneco resolveram homenagear o filho ilustre convocado por Felipão. “Demos sorte do Brasil ganhar a Copa e conseguirmos a presença do pentacampeãoâ€, comenta o vereador.
Sorte mesmo. Na próxima segunda-feira Roberto Carlos embarca para a Espanha e já na terça-feira segue com o Real Madrid para uma pré-temporada na Grécia.
“A única coisa que peço a Deus é para conseguir sempre representar bem o Brasilâ€, comenta. Sobre a expectativa de seus pais pelo hexa, o baixinho, careca, com fama de bagunceiro, mas com o chute mais potente da seleção, aproveita para tirar um sarro: “Eles já estão pensando nisso? Deixa eles... ou você também já caiu na conversa dos velhos?â€, abre uma gargalhada.