Economia & Negócios

Sincopetro lança cartão de crédito

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) em Bauru está cadastrando os postos de combustíveis da cidade para adesão ao GasCard, um cartão de crédito próprio do setor que foi apresentado à categoria no final de junho, durante a feira Posto Shopping 2002. O grande diferencial do produto é o valor da taxa de administração, que é de 1,25%, contra a taxa média de 2,5% cobrada pelas administradoras de cartão existentes no mercado - com quem os empresários do ramo de combustíveis travam uma luta antiga.

O GasCard foi lançado em âmbito nacional pelo Sincopetro de São Paulo, em parceria com a Brascombustíveis (BC), e a previsão do presidente da entidade em Bauru, Sebastião Homero Gomes, é de que dentro de um mês já esteja sendo utilizado. O sindicato ainda não possui números sobre a quantidade de adesões que já foram realizadas, porque o cadastramento começou a ser feito nesta semana. Mas Gomes diz estar otimista em relação à aceitação do cartão.

“Eu acredito que a maioria dos postos vai aderir, porque há muito tempo nós tentamos nos livrar das taxas abusivas cobradas pelas administradoras de cartão de crédito. Além da taxa, só o aluguel mensal da máquina custa R$ 80,00 e o reembolso das quantias pagas pelos clientes via cartão demora 30 dias para os revendedores”, diz Gomes.

De acordo com informações do Sincopetro/SP, em âmbito estadual cerca de 40% das vendas mensais dos postos são realizadas via cartão de crédito, o que consumiria em torno de um terço da margem de lucro apenas com taxas e aluguel das máquinas. Em Bauru, a média das vendas realizadas com cartão é de aproximadamente 20%, mas em alguns estabelecimentos chega a 50%, segundo afirma Gomes.

Retorno

De acordo com ele, após os postos terem se cadastrado, os consumidores que trabalham com cartão de crédito receberão o GasCard, que não terá taxa de anuidade e poderá ser utilizado em qualquer estabelecimento. “Para o empresário, a vantagem é que quando o consumidor utilizar o cartão em outro posto que não seja o que emitiu o cartão a ele, receberá uma porcentagem de 0,25% sobre o valor da venda realizada com o GasCard”, destaca Gomes. No próximo dia 15 será realizada uma reunião, em Bauru, para esclarecer todos os detalhes envolvendo o funcionamento do GasCard aos empresários.

Segundo dados do Sincopetro/SP, para cada unidade do GasCard entregue aos clientes o dono do posto terá que arcar com R$ 10,00, valor que engloba despesas relacionadas à confecção do cartão, inclusão no sistema, portagem e divulgação. Para ser incluso na rede, o custo para o empresário será de R$ 450,00. Considerando que a cada venda efetuada com o GasCard o revendedor terá um retorno de 0,25%, estima-se que a recuperação do investimento para a implantação do sistema poderá ser obtido num curto espaço de tempo.

Lei

O presidente do Sincopetro/SP, José Alberto Paiva Gouveia, também destaca que a implantação do cartão próprio adequará os postos de combustíveis à legislação fiscal em vigor. Conforme determina a lei, os estabelecimentos comerciais são obrigados a substituir o “Point of Sale” (POS) - equipamento de leitura de cartão crédito - por Emissores de Cupom Fiscal (ECF).

Durante a Posto Shopping 2002, também foi apresentada a bandeira própria do setor: BC. Ela reunirá os postos independentes de todo Brasil - os chamados postos de bandeira branca. A idéia, segundo Gomes, não é de funcionar como uma distribuidora, mas a BC pretende ajudar na sobrevivência desses estabelecimentos. Será uma espécie de gestora dos postos, fazendo o papel de intermediária na compra de combustíveis junto às distribuidoras.

A empresária Leda Maria Menezes, proprietária de posto em Bauru, acha que a utilização do GasCard beneficiará a categoria através da menor taxa de administração e dos custos reduzidos de manutenção.

“Eu ainda não sei de detalhes sobre o funcionamento desse novo sistema, mas acredito que será bom para os donos de postos. Os gastos que temos com as administradoras de cartão de crédito são muito altos”, opina.

Já o empresário Edvaldo Tuschi, não tem a mesma opinião. “Eu temo que o GasCard não consiga, num longo prazo, vencer as administradoras de cartão existentes no mercado, porque elas têm poder de fogo para reduzir as taxas de administração que são cobradas atualmente. Se isso acontecer, a força desse cartão pode diminuir”, observa.

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