Economia & Negócios

SFH pode financiar imóveis usados com juros menores

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Especialistas na área de financiamento habitacional recomendam cautela à classe média antes de aderir ao plano para imóveis usados lançado pela Caixa Econômica Federal (CEF), alimentado por recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) - segundo matéria divulgada ontem pelo JC. Até o fim do ano, a previsão é de que um outro financiamento nesses moldes seja lançado - possivelmente com juros mais baixos - pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH).

Anteontem, o Secovi (sindicato de empresas imobiliárias de São Paulo) divulgou nota informando que o Conselho Monetário Nacional (CMN) estuda proposta do Banco Central (BC) para destinar R$ 20 bilhões a planos de financiamento de imóveis para a classe média. O dinheiro seria oferecido ao longo de 100 meses, proveniente do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS).

Para a presidente da Associação dos Mutuários e Moradores de Bauru e Região (Ambre), Marizabel Ghirardello, quem está interessado em aderir ao programa de financiamento para a classe média deve aguardar a concretização da nova linha.

Quem tem pressa em adquirir um imóvel, contudo, deve tomar algumas precauções. “Recomendo que, se possível, o financiamento seja feito num prazo menor e com a utilização do FGTS”, observa Marizabel. “Quanto maior a entrada e maior o valor do FGTS, menores os juros a serem pagos no futuro”, completa.

Além disso, em caso de dúvida, Marizabel pede ao interessado que leve uma cópia do contrato de financiamento para a avaliação de um advogado especialista no assunto.

Melhor opção

Na opinião de Marizabel, o SFH, ao qual o aguardado novo plano de financiamento deverá estar ligado, é ainda a melhor opção para os mutuários. “O SFH, apesar de falho, ainda é melhor que os que estão aparecendo agora”, afirma.

Segundo ela, pelo SFH a taxa de juros é menor e o imóvel tem garantia hipotecária, ao contrário do plano da CEF, que é de alienação fiduciária. Isso significa que, no segundo caso, o mutuário seria uma espécie de “locatário” do imóvel até o final do pagamento.

O financiamento oferecido pela Caixa, ainda assim, deve ter uma grande procura, prevê Marizabel. Atualmente, esta é a única opção para famílias com renda superior a R$ 2 mil que querem financiar casas ou apartamentos usados.

No entanto, como o mercado imobiliário continua precisando de um impulso e este é um ano eleitoral, Marizabel acredita que a linha de financiamento pelo SFH deve mesmo sair - e a CEF pode oferecer outros planos. “No momento, é melhor segurar, mesmo porque a Caixa deve lançar novas modalidades”, conclui.

Taxa alta

Na opinião do advogado Ricardo da Silva Bastos, especialista na área de financiamento imobiliário, a legislação do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) é, atualmente, a que mais favorece o mutuário. “Para o mutuário, sempre compensa ficar amparado pelo SFH”, afirma.

De acordo com Bastos, a taxa de juros oferecida pela linha de financiamento para imóveis usados da Caixa Econômica Federal (CEF) é muito alta. Pelo plano, a taxa de juros anual é de 5,5% fixos, acrescida da variação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em torno de 10%. No total, são 15,5% de juros ao ano.

Para o advogado, o risco para o mutuário reside no fato da TJLP ser um índice variável e “desconhecido”, o que pode alterar significativamente os valores do financiamento, principalmente daqueles com prazo de pagamento muito longo.

“Como a TJLP não é taxa de juros fixa, não é possível ter noção do quadro do financiamento no futuro. Quanto mais critério fixo, melhor”, ressalta Bastos. Por esse motivo, ele afirma que, se surgir um plano pelo SFH, as vantagens de pagamento para o mutuário seriam maiores.

Segundo o advogado, o Banco Central (BC) normatiza que a taxa de juros para finaciamentos do SFH deve ficar, no máximo, em 10% ao ano. Há casos, no entanto, de bancos autorizados a aplicar juros de 12%. Diante desses índices, Bastos afirma que os juros de 15,5% oferecidos pela Caixa estão saindo muito altos.

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