Economia & Negócios

Procura por fogões à lenha dispara nas lojas de Bauru

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 4 min

Segundo o ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide, o botijão de gás poderia custar R$ 23,00. No entanto, o item é encontrado por todo o País a preço médio de R$ 30,00. Enquanto a redução de preço não vem, muitas donas de casa estão recorrendo a uma peça “aposentada” há muito tempo nas residências urbanas: o fogão à lenha. Nas lojas, as vendas disparam.

Em lojas no Centro da cidade, a procura pelo produto está surpreendendo os funcionários. Em uma delas, o gerente comercial, André Luís da Silva, afirma que são vendidos cerca de 500 fogões à lenha por mês. “Sempre trabalhamos com esse produto e a saída era bem pequena, quase não existia”, relata.

Silva revela que, há cerca de 40 dias, a procura disparou. Para comprar alguns modelos, por exemplo, a espera para a entrega da mercadoria não é menor do que 15 dias.

O perfil do consumidor também mudou. Antes, o fogão à lenha era procurado por moradores da zona rural e proprietários de chácaras ou ranchos. Agora, também quem vive na cidade quer ter um fogão à lenha em casa. “Quem mora na cidade também está procurando muito o produto, justamente pela alta do gás”, explica Silva.

Nas lojas, podem ser encontrados vários modelos de fogões à lenha. Os mais simples, com apenas uma boca, custam por volta de R$ 190,00. Os de duas a cinco bocas, saem a preços que variam de R$ 260,00 a R$ 390,00.

A roupagem do produto também mudou. Há no mercado fogões à lenha vermelhos, beges, com aberturas à direita ou à esquerda, revestimento de cerâmica ou - os mais caros - de ferro fundido, em estilo rústico.

“O que mais vende é o de ferro fundido, com cinco bocas”, declara o gerente de uma loja no Centro da cidade, Carlos Eduardo de Souza. Segundo ele, a procura pelo produto em sua loja aumentou em 60% nos últimos dois meses.

Souza também afirma que a maioria dos consumidores chegam à loja atraídos pela economia com o gás de cozinha. “Como hoje um botijão custa cerca de R$ 30,00, com certeza o comprador vai economizar com um fogão à lenha”, observa.

Utilidades

Para Souza, outra questão a ser levada em conta pelo o consumidor é o sabor da comida feita na brasa. “Temos consumidores que procuram o fogão à lenha pela tradição: um alimento feito na lenha tem sabor muito melhor”, revela.

Além disso, o consumidor também acaba descobrindo outras utilidades para o fogão à lenha. A dona de casa Aparecida Sanches, 50 anos, conta que gostaria de instalar um em seu sítio. “Faz tempo que estou namorando um desses”, diz.

Para ela, além da economia com o gás haveria outra economia: de energia elétrica. Segundo Aparecida, há fogões em que é possível encaixar uma serpentina para aquecer a caixa d’água. Com isso, conta ela, não se gasta para ter a comida e o banho quentes.

De acordo com Souza, usar o fogão à lenha para esquentar a água do banho é uma alternativa bastante comum. “Em residências de classe alta imagina-se que não se utiliza um fogão movido à lenha, mas já há empresas especializadas em fazer chaminé, distribuição de fumaça e serpentinas para aquecer água em qualquer local fechado”, revela.

Consumidor aprova

“Não troco esse fogão pelo outro a gás”, diz a dona de casa Alice Maria dos Santos, 40 anos. Ela conta que comprou seu fogão à lenha há dois meses e, desde então, já descobriu maneiras de fazer frituras e churrasco com a peça.

Na casa de Alice também não há fumaça, que sobe até o telhado por uma chaminé adaptada. Combustível para ela também não é problema. â€œÉ só atravessar a rua que está cheio de graveto”, relata.

Alice declara que, antes do fogão à lenha, consumia dois botijões de gás por mês. Hoje, ela tem quatro botijões estocados em casa. “Esses vão durar pelo menos dois anos. Agora, só uso o fogão a gás de manhã, para esquentar o leite e a água do café”, ressalta.

Segundo o barman Daniel Almado de Oliveira, 20 anos, o fogão à lenha praticamente dispensou o uso de gás em sua casa. Ele conta que sua mãe, Fátima, resolveu comprar a peça há pouco menos de dois meses, pensando na economia com o gás.

Além disso, diz Oliveira, a família gosta do alimento feito na brasa, que apesar de demorar mais tempo para ficar pronto, é mais saboroso. “Tem que ter um pouco de paciência”, observa. E dá uma dica: “Depois que a chapa esquentou, fica quente o dia todo. Se quiser esquentar comida à noite, por exemplo, é só colocar em cima”.

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