Política

Cabrera descarta candidatura laranja

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O candidato a governador do Estado pela Frente Trabalhista, Antonio Cabrera (PTB), diz que não é candidato laranja na eleição deste ano. O ex-ministro da Agricultura diz que é o único representante do setor na disputa pelo governo do Estado e que aceitou ser candidato não só para ajudar Ciro Gomes (PPS).

Natural de Rio Preto (SP), Cabrera diz que vai levar a “força do Interior” para o Palácio dos Bandeirantes. Ele aposta neste diferencial como arma para reduzir a grande desvantagem que tem em relação aos adversários Geraldo Alckmin (PSDB) e Paulo Maluf (PPB). “Sou o único representante do Interior do Estado neste disputa e não vou deixar que os municípios do Interior continuem esquecidos, como acontece em muitos locais”, afirma.

Cabrera diz que não entrou na disputa para ajudar Ciro Gomes. â€œÉ claro que consideramos que nossas candidaturas possam se ajudar mutuamente. Mas eu sou candidato ao governo do Estado para ganhar e minha única relação com laranja é que me coloco também como representante do setor agrícola e isso inclui os produtores de laranja, de feijão, de milho, de café e demais culturas”, lança.

O ex-ministro acredita que a transferência de popularidade de Ciro Gomes para sua candidatura ainda não aconteceu por ser o concorrente que a menos tempo está nas ruas pedindo voto. “Na propaganda da televisão e do rádio vamos passar essa imagem e chegar ao segundo turno”, acredita. Para o ex-ministro de Collor, o ex-presidente caiu porque se cercou de maus assessores.

Candidato do Interior

Cabrera não acredita que a miscelânia eleitoral prejudique sua candidatura no Interior. “Temos uma campanha coesa, conjunta com a frente trabalhista e é lógico que a fidelidade partidária pode criar um ou outro problema. Mas no geral estamos muito bem e recebendo muitos apoios junto com o Ciro Gomes em todo o Interior do Estado”, cita.

Ele concorda com a dificuldade na disputa por ter sido o último candidato a sair para buscar voto no Estado, mas vê chances de reverter o quadro. “Eu admito que há uma diferença muito grande porque boa parte da população ainda não me conhece como candidato. Estou há apenas 22 dias na campanha. Mas acho bom porque os outros candidatos já estão cansados de andar e 65% do eleitorado ainda não se decidiu. Eu estou chegando agora e bem descansado”, conta.

Cabrera diz que percorreu todos os municípios do Estado quando foi secretário estadual da Agricultura e que ampliou os horizontes quando exerceu a função de ministro da Agricultura no governo Collor. “Diria que minha experiência na área da agricultura vai me ajudar bastante a conversar com as pessoas do Interior. Eu conheço bem o Interior do Estado. Reforço que mais de 65% das pessoas ainda não tem seu candidato”, cita.

Antonio Cabrera também aposta no horário eleitoral gratuito da televisão para emplacar sua candidatura. “Vou fazer uma mensagem diferenciada e dizer para o eleitor que São Paulo não pode ser conduzido no processo político nacional. São Paulo tem que conduzir. Estamos participando das grandes discussões nacionais e São Paulo está omisso nesta questão. Vamos defender o Estado”, afirma.

O candidato diz que São Paulo não tem acompanhado o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em relação a outros estados e que é preciso defender a permanência de indústrias por aqui. “Não vamos entrar na guerra fiscal, vamos entrar na guerrilha. Vamos usar todo um centro de informações na Secretaria da Fazenda para tomar decisões favoráveis a cada setor de acordo com as dificuldades. Vamos reativar todas a barreiras interestaduais”, comenta.

Cabrera acha que a perda do Banespa para o governo federal eliminou as principais formas de financiamento da agroindústria no Interior. “Temos que fortalecer esse setor novamente e para isso precisamos dar instrumentos para a Nossa Caixa desempenhar este papel com a perda do Banespa, que custou muito caro para o governo estadual e muito mais para o agricultor paulista que ficou sem sua principal fonte de financiamento. O Banespa foi entregue para a União por cerca de R$ 2 bilhões e vendido para o Santander um ano depois por R$ 7 bilhões”, aponta.

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