A maioria das pessoas, depois de um certo tempo de relacionamento, já não enxerga o sexo como parte vital do relacionamento. A relação vai esfriando e o sexo vai ficando cada vez menos presente na vida a dois. Uma pesquisa realiza em Nova York e publicada na revista Environment diz que 90% dos parceiros diminui a freqüência da relação sexual com o passar dos anos.
Essa é uma realidade que acontece também no Brasil. Após um tempo de convivência, a rotina, os filhos, o fim da paixão, faz com que o interesse pelo sexo, principalmente por parte das mulheres, já não seja o mesmo. As mulheres se explicam pela carga que trazem desde outras décadas, quando a mulher era vista como prostituta se sentisse prazer no sexo.
Mas nem todo o mundo é assim. O casal Oneida Mendes Lopes, 56 anos, e José Roberto de Mello, 58 anos, é muito feliz sexualmente. Eles têm relações sexuais todos os dias e, às vezes, mais de uma vez ao dia e se entendem na cama e na vida. São exemplos de cumplicidade, companheirismo e amor.
A psicóloga Keila Cristiane Maniero Peraçoli diz que o relacionamento de Oneida e Mello é admirável. Eles realmente sabem como ser felizes e praticam na vida a dois.
A psicóloga explica que os casais que não conseguem manter um relacionamento sexual por mais tempo é porque já não tiveram uma sexualidade legal antes. “Alguma coisa já vinha acontecendo antes com o indivíduo ou na relação que fez com que um se distanciasse do outroâ€, diz.
Ela lembra que os filhos, muitas vezes, são desculpas para fazer com que o casal se afaste ainda mais. Quando a criança ainda é pequena e quer dormir com os pais porque tem medo de alguma coisa, é normal, mas desde que isso aconteça uma vez ou outra. Se virar rotina, pode atrapalhar.
A psicóloga diz, ainda, que as pessoas se dedicam muito pouco ao relacionamento íntimo. “Em horas, pode-se dizer que se dedicam apenas meia hora por dia. Isso é muito poucoâ€, explica.
É preciso ter tempo longo para que se estabeleça uma relação de carinho. Muitas vezes, os casais se redescobrem depois que os filhos crescem, mas é preciso querer, fazer acontecer e deixar fluir. “Começar de novo é fundamental. É preciso se redescobrir, tocar, sentir, fazer com que o desejo se aflore novamenteâ€, conta.
“Adoro o meu coquinho queimado. Esse chocolate é demaisâ€
Oneida e Mello estão juntos há 15 anos e fazem questão de dizer que são namorados. Os dois curtem a vida a todo instante e sexo para eles é essencial. “Todos os dias e às vezes, mais de uma vez por diaâ€, afirmam.
O casal consegue transmitir para quem os vê, todo o amor que sentem um pelo outro. “Onde vamos, chamamos a atenção. Não sei se é o jeito de dançar ou outra coisaâ€, diz Mello. Outro dia, os dois, que moram em Ribeirão Preto, estavam em Bauru e, na ocasião, se divertiam num restaurante da cidade. “A gente é assim. Como ele trabalha e tem que viajar toda semana, eu acompanho e, nessas viagens, curtimos tudo o que temos direito. Desde que nos conhecemos, sempre foi assim. Não tem bombeiro que apague o nosso fogoâ€, conta Oneida.
Sentimento
O que mais eles prezam no relacionamento é a sinceridade. “Nós fazemos questão de sempre expor tudo o que pensamos e sentimos, assim sempre estamos bemâ€, diz Mello.
O companheirismo também é ingrediente desse relacionamento. Oneida acompanha Mello em todas suas viagens e passeios e ele, por sua vez, tem muita paciência com ela em algo que a maioria dos homens não tem: “ele vai comigo nos shoppings e não me apressa. Eu paro, olho, às vezes não vou comprar nada, mas gosto de ver e ele fica comigo, com a maior paciência do mundo. Ele para mim é imprestável, não empresto, não vendo, não alugoâ€, brinca Oneida.
Para os dois, que decidiram não ter filhos para não perderem a liberdade de viajar e fazer tudo aquilo que gostam, o sexo é muito importante e eles falam sobre o assunto com muita naturalidade. “Para mim e para ele, o sexo é primordial, muito importante mesmo. Inclusive, a gente está junto porque isso é uma coisa que sempre trazemos acesa, desde que nos conhecemos, só melhora e eu digo que quando converso com Deus, falo que eu fui premiada, fiz 13 pontos sozinha por ter encontrado ele em minha vida. Se o sexo não vai bem, nada vai bem. Tem que rolar com muito amor e muito tesãoâ€, relata Oneida.
Para eles, se o casal não tem esse desejo é porque não encontrou a metade certa ainda. “Eu falo para ele que ele é o meu coquinho queimado e adoro ele e não tenho vergonha de falar eu te amo, te adoro, gosto muito de você. Isso é amor, está dentro do coração, da alma. Esse chocolate é demaisâ€, ela fala acariciando seu amado.
Em relação à quantidade, eles afirmam que fazem amor todos os dias. “Às vezes são duas vezes por dia, não tem hora. Às vezes estamos na estrada, aí olhamos algum lugar, um olha para o outro e já paramos. É uma liberdade tão grande, nós deixamos rolar tudo, muito solto e fazer o que quiser e na estrada é gostoso porque podemos ficar mais a vontade. Em hotel, temos que ligar a televisão porque eu sou meio barulhentaâ€, conta Oneida rindo.
Conselhos
Os dois acreditam que o sexo completa uma união e não tem como ficar sem. É preciso deixar essa chama sempre acesa para que os dois possam sempre viver bem e realizados.
Para Oneida, o cuidado higiênico é muito importante para que o desejo não diminua. “A mulher, depois de algum tempo, acaba relaxando e não se cuida tanto. São mínimas coisas do dia-a-dia que vão detonando o relacionamento, então é preciso muito cuidado, não pode relaxar, tem que ser sempre vaidosaâ€, explica.
Além disso, ela afirma que as mulheres devem tomar conta de seu homem. “Eu tomo conta até demais, sufoco um pouco, mas tem que ficar na marcação, sou muito ligada, percebo coisas que ninguém percebeâ€, explica. “E eu gosto, faz bem para o meu ego saber que estou sendo cuidadoâ€, diz Mello.
Paciência, atenção e conhecer o parceiro, satisfazendo suas necessidades, também é preciso para que se caminhe bem. “Temos que conhecer a pessoa que está com a gente e querer fazê-la feliz, além de querer ser feliz. Quando temos amor, não há nada que nos derrubeâ€, afirma Mello.