Tribuna do Leitor

13.º Festa do Sadismo Boiadeiro


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Em resposta à agressão frontal à minha cultura e aos meus valores, consumada pelo agradecimento referente à “Festa do Peão de Agudos” publicado neste jornal no último domingo (21/7), farei públicas as minhas opiniões, de acordo com o solicitado. A princípio, vejo num circo dessa categoria toda a involução cultural de uma parcela significativa do povo. Me decepciono. Há algum peão-de-platéia que diria: â€œÉ uma questão de cultura, gosto e tradição!”; é inconcebível que um montador (carrasco, torturador, sádico... não se sabe qual encaixa melhor) tenha gosto em cravar esporas afiadas num animal e apertar-lhe a genitália a fim de arrancar suspiros e aplausos do público, como se exaltassem a sua crueldade. É possível imaginar outras peripécias que esse animal “pseudo-racional” (o peão) estaria disposto a fazer. Consideremos por um instante eventuais extraterrestres montados em um desses “peões-carrascos”, chicoteando-o por todos os lados, afim de vê-lo gritar de agonia apenas pelo fato dos mesmos não entenderem nosso processamento e configuração mental. Como é possível alguma pessoa em condições psicológicas normais permitir um prática destas? Será que os organizadores de um rodeio não deixam a população pagante saber o que eles fazem por trás das cortinas para enfurecer um animal de comportamento dócil (para que o caubói pareça corajoso como num filme de bang-bang) proporcionando, assim, um “bom show”? Faço questão de publicar algumas, afim de endossar minhas opiniões:

- Ferramentas: agulhadas elétricas, madeiras afiadas, unguentos cáusticos, substâncias abrasivas;

- Sedem ou sedenho: artefato de couro o qual é amarrado ao redor do corpo do animal (sobre pênis ou saco escrotal) e que é puxado com força no momento em que o animal vai para a arena. Além do estímulo doloroso pode também provocar rupturas viscerais, fraturas ósseas, hemorragias subcutâneas, viscerais e internas e dependendo do tipo de manobra e do tempo em que o animal fique exposto a tais fatores, pode-se evoluir até o óbito;

- Objetos pontiagudos: pregos, pedras, alfinetes e arames em forma de anzol são colocados nos sedenhos ou sob a sela do animal;

- Esporas: às vezes pontiagudos, são aplicados pelo peão tanto na região do baixo-ventre do animal como em seu pescoço, sempre provocando lesões e, eventualmente, perfuração do globo ocular;

- Choques elétricos e mecânicos: aplicados nas partes sensíveis do animal antes da entrada à arena;

- Golpes e marretadas: na cabeça do animal, seguido de choque elétrico, costumam produzir convulsões e são os métodos mais usados quando o animal já está velho ou cansado. Esses recursos que o fazem saltar descontroladamente, atingindo altura não condizente com sua estrutura, resultando em fratura de perna, pescoço e coluna, distensões, contusões, quedas, etc.

Se um rodeio não consistisse em torturar e maltratar animais para que o ser humano prove ainda mais o seu domínio sobre as outras espécies, eu não seria completamente contra sua realização. Peço apoio a qualquer um que discorde dessa barbárie à vida. Discuta! Conscientize! Faça valer a sua cidadania! (Luiz Miguel Axcar - RG 34.531.005-6 - e-mail: lmaxcar@yahoo.com.br)

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