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Entidade denuncia genocídio de índios

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Integrantes do Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas (Conplei) estão visitando cidades brasileiras com o objetivo de denunciar um suposto genocídio dos povos indígenas. Apesar da gravidade do assunto, eles alegam que o governo não tem dado atenção devida ao caso.

De acordo com o pastor e missionário Luiz Bittencourt, existem hoje no Brasil pouco mais de 300 mil índios. E um dos principais problemas vividos pelas aldeias remanescentes é o alto índice de suicídio.

“A situação é gravíssima. Não existe uma política indígena no Brasil. Os índios estão perdendo terra e o governo não faz nada para mudar isso”, declarou o pastor, um descendente da tribo Kiniknaw, já extinta.

“Queremos, pelo menos, que nos devolvam a terra que nos tiraram”, disse ele.

Apesar da demarcação parcial das terras indígenas, fazendeiros estariam invadindo esse espaço, sem que órgãos governamentais impedissem.

Diante disso, o Conplei, ao lado de outras entidades de apoio ao índio, planejam adotar as mesmas estratégias usadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “Mas sem violência”, ressaltou o pastor.

Na opinião dele, só assim o governo irá ouvi-los. Bittencourt mostra indignação quando lembra das invasões feitas pelos sem-terra, algumas com violência, e mesmo assim o governo atende as reivindicações, fazendo reforma agrária.

“Ao contrário, o índio é expulso de sua área e, apesar disso, não tem apoio do governo”, reclama Bittencourt. “Por isso, vamos fazer pressão, com ajuda da sociedade, assim como tem feito o MST, para ver se o governo nos ouve”, disse.

Esse e outros assuntos foram discutidos durante o 9º Encontro de Líderes Evangélicos, encerrado ontem, em Bauru.

Um dos objetivos do encontro, que teve a presença de pregadores estrangeiros, é formar grupos de missionários dispostos a trabalhar pela causa indígena.

O Conplei, segundo Bittencourt, é supra-denominacional, ou seja, não pertence a apenas uma denominação religiosa.

Apesar da abrangência nacional, o trabalho é mais concentrado na região amazônica, onde vive a maior parte das tribos indígenas.

Em cada uma dessas tribos, ou na maioria delas, existe um representante do Conplei, segundo informou o pastor missionário. Normalmente, esse representante é membro da própria tribo.

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos missionários é compreender a língua indígena. De acordo com Bittencourt, existem hoje cerca de 185 línguas diferentes para uma população de aproximadamente 314 mil índios.

Além de defender a causa indígena, o Conplei realiza um trabalho de evangelização nas aldeias. A intenção, segundo o pastor, é levar a palavra de Deus sem interferir nas tradições indígenas.

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