Outro acidente envolvendo motociclista e linha de pipa com cerol (mistura de cola e vidro moído) quase matou o desempregado Roberto Carlos Fagundes, 34 anos, por volta das 12h30 de ontem. A vítima, que trafegava de moto pela avenida Jânio Quadros, sentido Bairro-Centro, no Jardim Godoy, sofreu corte profundo no pescoço e escoriações nos ombros.
De acordo com o relato de Fagundes, no momento do acidente muitas crianças e jovens empinavam pipa às margens da avenida. Quando ele passou pelo local, sentiu um violento impacto no pescoço, mas não chegou a ser derrubado da moto.
Em seguida, Fagundes conseguiu arrebentar a linha com as mãos e percebeu que estava perdendo muito sangue, que escorreu pelas roupas e pela moto. Mesmo assim, a vítima conseguiu chegar dirigindo ao Pronto-Socorro (PS). O ferimento foi suturado e ele passa bem.
De acordo com um enfermeiro do PS, a vítima teria morrido se estivesse trafegando em velocidade um pouco maior.
Ainda segundo Fagundes, um colega de trabalho dele teria morrido há cerca de um ano, em situação idêntica.
De acordo com o soldado da Polícia Militar (PM) José Luiz Schiavo, o acidente serve de alerta para que os motociclistas instalem antenas de proteção - conhecidas como “pára-chifres†- em seus veículos.
A obrigatoriedade do item de segurança não está prevista pela legislação de trânsito, mas Schiavo afirma que a antena é a maneira mais fácil de evitar acidentes dessa espécie. “Isso salva vidasâ€, ressalta.
Lesão corporal
Segundo o soldado Schiavo, quando há denúncias de que menores estão empinando pipa com cerol, o procedimento da polícia é ir até o local, apreender os produtos e qualificar os menores.
Se um acidente com cerol for provocado por um maior de 18 anos, no entanto, Schiavo alerta que a pessoa pode ser enqudrada por lesão corporal ou, em caso de morte, por homicídio.
Na opinião do motoboy Marcos da Silva Rio, 27, a brincadeira com pipa, principalmente na vila São Paulo e no Núcleo Fortunato Rocha Lima, traz também outros riscos. “Além do cerol ser perigoso, as crianças brincam em volta da pista, correndo atrás das pipasâ€, ressalta.
Rio conta que se acidentou com cerol em 1999 e, desde então, usa antena na moto como medida de segurança. “Gostaria que a polícia orientasse os motociclistas a usar antena, e a quem usa cerol sobre os perigos que isso trazâ€, declara.