Política

Geraldo Alckmin se contrapõe a Maluf

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) fez campanha pelo centro de Bauru, ontem, enfrentando protestos de servidores públicos da educação, saúde e Judiciário. O tucano subiu o Calçadão cumprimentando a população sem se incomodar com vaias e manifestações de grupos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), sindicatos e outras organizações políticas. Em entrevista, Alckmin mostrou que vai para o período de propaganda eleitoral gratuita de rádio e TV comparando as realizações de sua gestão com as de Paulo Maluf (PPB), também candidato ao governo do Estado. Ele descartou seu licenciamento do cargo para se dedicar exclusivamente à campanha no primeiro turno.

Ontem, Geraldo Alckmin utilizou boa parte do tempo de entrevista para criticar o período de governo de Maluf na área de segurança pública. O governador vem repetindo no Interior que Maluf promete e não faz, um contraponto a um velho clichê do pepebista. Neste momento da campanha, o tucano utiliza o mesmo expediente na eleição em que Covas venceu Maluf. A comparação entre os períodos de governo área por área foi uma das estratégias mais exploradas daquela campanha.

Alckmin considera que o melhor período para realizar a comparação das ações de governo com o período Maluf será na TV. “A polícia nunca esteve tão bem equipada como está hoje, estamos construindo o Centro de Detenção Provisória para Bauru e vamos continuar investindo. Os índices de ocorrências também estão caindo e está havendo uma reversão na violência. O período mais triste na história da polícia foi o do Maluf”, disse.

Ele cita problemas da gestão Maluf na área de segurança. “Pega os jornais da época para ver os problemas. Preso em São Paulo ia para a cadeia de ônibus. Faltava algema e a polícia usava corda. Os piores salários da polícia são do período Maluf. Os policiais não tinham substituição de farda. E o Maluf ainda dizia que professora não ganhava mal, mas era mal casada”, conta.

Alckmin também critica no período Maluf a atuação da equipe da Rota da PM. “Ele foi o único governador que não fez uma vaga penitenciária durante seu governo. Ele fala da Rota e não colocou um soldado na Rota. Eu instalei a quarta companhia da Rota. Tinha três companhias com 598 soldados. A terceira companhia da Rota foi instalada em 1977 no governo Paulo Egídio. Eu instalei a quarta. É só conversa. É promessão, essa política atrasada de prometer tudo”, afirma.

O governador elenca o aumento de policiais. “O governo está fazendo bastante na área de segurança pública, passando o efetivo para 86 mil policiais militares depois que o governador Covas assumiu. Nomeamos 6 mil soldados temporários só neste governo e com isso vamos liberar 6 mil PMs para as atividades de rua. Nomeamos 4 mil guardas de muralha, que também vão para as ruas e há concurso na Polícia Civil para delegado, escrivão, investigador”, menciona.

Sem licença

O governador Geraldo Alckmin afastou as especulações sobre um pedido de licença para se dedicar exclusivamente à campanha eleitoral. “Nosso compromisso primeiro é com o governo e não tem sentido em um sistema de reeleição você se afastar do cargo para ser candidato. A lógica é a continuidade administrativa. É mais do que suficiente domingo, sábado, hora de almoço e alguns dias adicionais para fazer a campanha. A receptividade nas ruas é muito boa e no segundo turno o Maluf é freguês de carteirinha”, afirma.

Corpo-a-corpo

A cúpula tucana desceu no aeroporto local com boa parte de seus líderes. Alckmin desceu para o Calçadão em um jipe acompanhado do vice, Cláudio Lembo (PFL) do senador Romeu Tuma (PFL) e dos deputados estaduais tucanos Pedro Tobias e Milton Flávio. Alckmin caminhou por cerca de 25 minutos no Calçadão cumprimentando as pessoas.

Durante o corpo-a-corpo, o governador enfrentou manifestações contrárias de servidores do Judiciário, da educação (Apeoesp), de integrantes da CUT, Sindicato dos Bancários, Eletricitários, PC do B, PSTU e outros segmentos contrários ao modelo de seu governo. Alckmin, porém, suportou com paciência os protestos e seguiu o corpo-a-corpo até o Hotel Colonial, onde concedeu entrevista.

Integrantes da Apeoesp foram os mais intensos nas manifestações. Duílio Duka lançava ofensas ao governador durante sua passagem e recebia reações de tucanos que gritavam “Geraldo” para ofuscar o movimento. As ações de Duka, que já conviveu com confrontos físicos com a polícia em outras manifestações, geraram um princípio de agressão que foi controlado por seus companheiros.

A mobilização mais tranqüila ocorreu por parte de servidores do Judiciário. Os servidores protestaram vestidos de preto e com faixas, mas sem buscar o confronto verbal ou físico. A Apeoesp distribuiu uma carta aberta à população criticando o modelo de educação instalado no Estado. A entidade entregou uma lista de reivindicações ao governador.

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