Jaú - Quanto menos candidatos se apresentarem para a disputa, maior será a chance da cidade voltar a ter um deputado estadual. Esse é o raciocínio do prefeito João Sanzovo Neto (PDT). Para não deixar a cidade órfã de deputado por mais quatro anos, ele tomou a iniciativa de propor um consenso aos candidatos.
De acordo com a proposta, eles se submeteriam a uma pesquisa de intenção de voto e o que ficar em primeiro continua com a candidatura. Os demais abririam mão do sonho de chegar a Assembléia Legislativa em favor do concorrente mais votado.
Com isso, o prefeito acredita que os votos migrariam para esse candidato e Jaú voltaria a ter um deputado estadual. O último foi Cândido Galvão de Barros França Neto, o Candão, que não conseguiu a reeleição em 1998.
“Acho que Jaú precisa ter um deputado estadual e um federal que representem nossa cidade e região. Independente do partido a que pertençaâ€, declarou Sanzovo.
“A idéia de se fazer uma pesquisa para escolher o candidato torna nossa proposta absolutamente transparente, porque, ao contrário do que acontecia no passado, não vamos impor nenhum nome à vontade do eleitor. Quem dirá quem é o melhor candidato para Jaú não serei eu, mas a populaçãoâ€, completou o prefeito.
A cidade tem seis candidatos a deputado estadual e dois a deputado federal. No entanto, apenas quatro candidatos participaram da rodada inicial de negociações.
O argumento do prefeito é que na época que surgiu a proposta existiam apenas as quatro candidaturas: Luiz Carlos Zanato (PPB), Milton Lyra (PMDB), José Mineiro de Camargo (PSB) e Ademar Pereira da Silva (PT).
Para deputado federal, existia apenas uma candidatura definida; a de José Paulo Toffano (PV).
Desde então, Toffano ganhou concorrente, Paulo Blassioli (PRTB), e outros dois candidatos a deputado estadual entraram no páreo, o sargento Adão Tomé (PST) e o pastor Ismael Florindo (PT do B).
Embora eles tenham sido contactados pelo prefeito para fazer parte do consenso, os três acreditam que o convite chegou um pouco tarde demais.
“Depois que nós corremos atrás de toda a documentação para regularizar a candidatura, é duro desistirâ€, declarou o pastor. “Sou a favor do consenso, mas antes de registrar a candidaturaâ€, continuou.
De acordo com o sargento, o prefeito chegou a ligar para ele, mas o correto, na opinião dele, era ter participado desde o início do processo.
O argumento usado pelo prefeito, ao reunir apenas quatro candidatos, não convenceu o sargento Tomé. “Que político é ele que não sabe os candidatos da cidadeâ€, questionou indignado.
“Se houver alguma causa nobre para a Jaú e região, eu vou consultar as bases do partido para decidir o que fazerâ€, disse o sargento dando a entender que ainda é possível um acordo.
Mas mesmo os candidatos que participaram das conversações com o prefeito não demonstram muito ânimo com a proposta. “Esse consenso nasceu mortoâ€, sentenciou o vereador Zanato.
“A discussão deveria envolver todos os candidatos, mas não envolveuâ€, disse. Segundo ele, interesses particulares estariam atrapalhando um possível consenso.
Na opinião do vereador José Mineiro de Camargo, é importante que a pesquisa aponte também o nível de rejeição dos candidatos.
Ainda não existe uma data definida para a realização da pesquisa. A intenção é realizá-la entre os dias 15 e 20 de agosto.
Para o vereador Ademar Pereira da Silva é necessário que a empresa responsável pela pesquisa seja idônea. De preferência da Capital.