Combinar todos os movimentos e modalidades esportivas é a receita ideal de atividade física para crianças até o início da adolescência. Segundo especialistas, quanto mais amplo for o estímulo nestes primeiros anos de vida, melhor será o crescimento da criança. E no futuro, se ela optar por especializar-se em algum esporte, melhores serão os resultados.
Os professores de educação física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Henrique Luiz Monteiro e Milton Vieira do Prado Júnior explicam que existe um ritmo diferente para cada faixa etária. Nos primeiros meses de vida, a criança faz apenas movimentos reflexos, mexendo os membros, levando-os até a boca e agarrando o que está próximo.
Entre 1 e 2 anos, o bebê entra na fase rudimentar, quando começa a controlar seus gestos. Ele já pega o que quer, vira o corpo para onde deseja e rasteja na direção desejada. Nesta fase, eles aprendem a engatinhar, ficam de pé quando apoiam-se em alguma coisa e começam a descobrir o que existe à sua volta.
A partir dos 2 anos, quando começa a andar, o bebê entra na fase dos movimentos fundamentais. Seus gestos buscam o equilíbrio e a percepção da força gravitacional. Neste período, a criança deve ser estimulada a andar, correr, subir, saltar, lançar coisas, pegar objetos, puxar, empurrar, pendurar, balançar, rodar, carregar e equilibrar-se.
A evolução é gradual. Aos 3 anos, em média, a criança já consegue coordenar dois ou mais movimentos ao mesmo tempo, como saltar com os dois pés (antes ela erguia um de cada vez), equilibrar-se na ponta dos pés para alcançar um objeto alto, correr e chutar uma bola, pedalar um triciclo. Sua força começa a ser explorada e ela mantém a atenção em situações por mais tempo.
Nesta idade, a criança já pode ser incentivada a desenhar, pintar com os dedos e montar brinquedos. Quando freqüentam creches ou escolas, já começa a formar pequenos grupos.
Na idade pré-escolar, entre 4 e 5 anos, a criança fica mais independente e começa a agir para obter o que quer. Aos 6 anos, ela já tem um grande domínio sobre sua coordenação motora e torna-se curiosa sobre como as coisas funcionam. Seus movimentos exigem atenção, porque ela torna-se rápida e confiante.
O aprendizado depende diretamente do estímulo que a criança recebe. Os movimentos começam de forma simples e vão tendo sua complexidade aumentada gradualmente. Por volta dos 7 anos, todas as crianças devem ter domínio completo dos movimentos fundamentais locomotores, de estabilidade e manipulativos.
Conhecendo o esporte
A partir dos 7 anos, a criança já está apta a conhecer as regras esportivas e inicia a fase dos movimentos especializados. “Nesta etapa, ela vai combinar ordenadamente vários dos movimentos fundamentais. Para dar uma cortada, no voleibol, por exemplo, a pessoa corre - que é um padrão fundamental -, salta - que é um padrão fundamental -, rebate a bola - que é um padrão fundamental - e recupera o equilíbrio em um pé ou nos dois, que também são padrões fundamentaisâ€, salienta Prado Júnior.
Ele ressalta que esta divisão foi representada pelo teórico Gallahue (1989) sob a forma de uma ampulheta, indicando que, a partir da adolescência, a atividade física deve seguir o sentido contrário.
“A divisão dos movimentos era representada por uma pirâmide. Mas ele contestou, porque dava a impressão de que tudo terminada aos 14 anos. Então, ele adotou a ampulheta. A idéia é que, conforme eu tenho estimulação ambiental na infância, eu acumulo areia. Quando eu virar a ampulheta, iniciando uma especialização esportiva, toda a minha experiência com movimentos será resgatada nos anos seguintesâ€, explica.
Mas ele ressalta que estimular não deve ser confundido com superestimular. O aprendizado dos movimentos deve respeitar os limites individuais e aumentar gradualmente. “A iniciação esportiva, no sentido de treinamento, só deve acontecer por volta dos 13-14 anos. Antecipar fases pode causar lesões e reduzir a qualidade de desempenho do atletaâ€, completa.