Saúde

Musculação só a partir dos 17 anos

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Quando o assunto é atividade física, a única restrição apontada pelos especialistas é quanto à musculação. Todos são unânimes em alertar que este tipo de exercício não deve ser feito antes dos 17 anos, quando o desenvolvimento ósseo e muscular está concretizado. A sobrecarga antes desta idade pode prejudicar o crescimento.

O médico ortopedista Alberto Sala Franco explica que o crescimento do ser humano acontece através das chamadas cartilagens de crescimento, localizadas nas extremidades dos ossos longos (pernas, braços, antebraços, coxas).

“Quando você faz musculação, você contrai além do normal os músculos e tendões que revestem esses ossos. Contraídos, eles seguram as cartilagens, impedindo o crescimento”, descreve.

O professor de educação física da Unesp, Henrique Luiz Monteiro, reitera a afirmação. “Se você medir um garoto que faz exercícios de agachamento com peso nas costas antes e depois da aula, você verifica uma diminuição da estatura dele em 3 a 5 centímetros. Então, imagine o impacto que isso tem sobre o padrão de crescimento de um adolescente”, comenta.

Os profissionais ressaltam que a dica vale também para atividades de alto impacto (saltos, movimentos da ginástica olímpica, movimentos das artes marciais) e para as crianças e os jovens que sobrecarregam o corpo durante as atividades físicas.

Até os 14 anos, eles recomendam que sejam praticadas todas as modalidades esportivas, para solicitar os mais variados grupos musculares e ter uma modelagem do crescimento ósseo e muscular mais harmoniosa. “Se ele fizer só tênis, vai ter um desenvolvimento exagerado de um dos braços”, exemplifica a pediatra Nabia Aparecida Sabbag.

Sobrecarga

O ortopedista salienta que a sobrecarga durante as atividades físicas na infância e adolescência pode causar lesões sérias e, muitas vezes, irreversíveis. â€œÉ o chamado Overuse - excesso de uso. A sobrecarga sobre uma parte do corpo pode causar tendinites, fraturas, microfraturas e até patologias específicas”, cita.

Nesse sentido, o médico adverte que, mesmo que o adolescente esteja treinando para competir em torneios e campeonatos, o treinamento nunca deve ser feito duas vezes ao dia ou com sobrecarga.

“Pelo contrário. O músculo precisa de repouso para se recuperar. Se você solicita seu trabalho e não dá tempo para ele relaxar, a musculatura fica desgastada, você fica estressado e seu rendimento cai”, reitera Franco.

Os professores de educação física Milton Vieira do Prado Júnior e Henrique Monteiro alertam que o melhor desempenho é obtido como resultado de anos de dedicação e treinamento regular e gradual. Eles comentam que forçar o organismo ao limite, pulando fases do desenvolvimento, pode causar lesões que antecipam o fim da carreira.

Basta citar os exemplos de vários jogadores famosos, como Ronaldo Nazário, que passou dois anos longe dos campos para recuperar-se de uma lesão. Em vários momentos, profissionais experientes chegaram a dizer que ele não voltaria a jogar, porque é o que normalmente acontece quando há lesões graves resultantes de sobrecarga.

Preparo anterior

O ortopedista também chama atenção para a importância dos exercícios de alongamento e aquecimento antes de começar a atividade física propriamente dita.

No alongamento, as fibras musculares são distendidas, aumentando a amplitude do movimento e informando ao cérebro o limite que elas podem atingir.

“Se você não faz um bom alongamento, na primeira vez que você esticar a perna para chutar a bola, por exemplo, você pode sofrer um estiramento. Se eu fiz os exercícios, minhas pernas já foram dobradas e esticadas inteiramente e não são pegas de surpresa com o movimento brusco”, afirma.

Sobre o aquecimento, Franco faz uma comparação com o motor de um carro. “Se ele estiver frio, o carro morre. Mas quando está quente, ele sai com força total. Com o corpo é a mesma coisa. O aquecimento acelera as reações químicas e dá mais força à musculatura”, ressalta.

Além disso, segundo ele, o aquecimento melhora a coordenação neuromuscular do atleta, ou seja, quando o cérebro dá a ordem, o corpo obedece prontamente. “Se eu entro frio, eu miro um lugar para chutar e a bola vai para outro”, completa.

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