Bairros

Comerciante trabalha atrás das grades temendo roubos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

O comerciante José Félix viveu momentos de pavor há cerca de dois anos. Num espaço de 90 dias, o seu estabelecimento comercial sofreu três assaltos. Em um deles, ele levou um tiro na cabeça e precisou levar 12 pontos para fechar o ferimento.

O bar fica no Parque Santa Edwirges, uma das regiões mais afetadas pela violência na cidade.

Temendo novas ações dos bandidos, Félix tomou algumas iniciativas. A primeira delas foi mandar fazer uma grade para colocar na frente do bar, de maneira que fique uma barreira entre ele e os clientes. “Eu só atendo as pessoas por esse buraco aqui”, diz mostrando um vão na grade.

Trancado de cadeado durante todo o dia, o comerciante diz que se sente mais seguro. “Agora eu trabalho até meia noite e não fico com medo”, conta.

Além dos assaltos, Félix também teve parte de sua mercadoria furtada. Os criminosos invadiram a sua residência, que fica atrás do bar, e levaram alguns produtos do estabelecimento comercial que são armazenados no quintal. “Eles pularam um muro alto, que tem caco de vidro no topo”, frisa.

Acreditando que o mato alto do terreno vizinho tenha facilitado a ação dos bandidos, Félix decidiu cobrar a limpeza do local. “Parte do terreno é da prefeitura, mas ninguém veio aqui para acabar com o mato. Então, decidi pagar para alguém capiná-lo.”

Com o intuito de manter a área limpa, o comerciante comprou uma tela de proteção, bolas de futebol e transformou o espaço em um campo para a prática de esportes. “Com os meninos jogando bola aqui o mato não cresce, o lugar fica movimentado e as crianças não ficam à toa na rua.”

Mesmo tendo enfrentado situações difíceis, Félix não acha a cidade violenta. “Pela população que tem aqui, até que é calmo em termos de criminalidade”, diz.

Para ele, o problema da violência está diretamente ligado às leis que regem o País. “Acho que a polícia trabalha direito, mas as leis não colaboram. O cara é preso e logo está na rua de novo aprontando”, ressalta.

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