O comerciante José Félix viveu momentos de pavor há cerca de dois anos. Num espaço de 90 dias, o seu estabelecimento comercial sofreu três assaltos. Em um deles, ele levou um tiro na cabeça e precisou levar 12 pontos para fechar o ferimento.
O bar fica no Parque Santa Edwirges, uma das regiões mais afetadas pela violência na cidade.
Temendo novas ações dos bandidos, Félix tomou algumas iniciativas. A primeira delas foi mandar fazer uma grade para colocar na frente do bar, de maneira que fique uma barreira entre ele e os clientes. “Eu só atendo as pessoas por esse buraco aquiâ€, diz mostrando um vão na grade.
Trancado de cadeado durante todo o dia, o comerciante diz que se sente mais seguro. “Agora eu trabalho até meia noite e não fico com medoâ€, conta.
Além dos assaltos, Félix também teve parte de sua mercadoria furtada. Os criminosos invadiram a sua residência, que fica atrás do bar, e levaram alguns produtos do estabelecimento comercial que são armazenados no quintal. “Eles pularam um muro alto, que tem caco de vidro no topoâ€, frisa.
Acreditando que o mato alto do terreno vizinho tenha facilitado a ação dos bandidos, Félix decidiu cobrar a limpeza do local. “Parte do terreno é da prefeitura, mas ninguém veio aqui para acabar com o mato. Então, decidi pagar para alguém capiná-lo.â€
Com o intuito de manter a área limpa, o comerciante comprou uma tela de proteção, bolas de futebol e transformou o espaço em um campo para a prática de esportes. “Com os meninos jogando bola aqui o mato não cresce, o lugar fica movimentado e as crianças não ficam à toa na rua.â€
Mesmo tendo enfrentado situações difíceis, Félix não acha a cidade violenta. “Pela população que tem aqui, até que é calmo em termos de criminalidadeâ€, diz.
Para ele, o problema da violência está diretamente ligado às leis que regem o País. “Acho que a polícia trabalha direito, mas as leis não colaboram. O cara é preso e logo está na rua de novo aprontandoâ€, ressalta.